A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 15/11/2020
No episódio “Queda Livre”, da série televisiva americana “Black Mirror”, é retratada uma sociedade distópica permeada por uma rede social. Nessa rede, os indivíduos realizam postagens diárias sobre seu cotidiano e recebem notas de outros usuários, assim, quanto maior a nota de uma pessoa, maior será sua popularidade e sua credibilidade diante à sociedade. Fora da ficção, é possível inferir que a imagem pública tornou-se um dos principais aspectos da vida social, assim como em Queda Livre. Dessa maneira, é lícito afirmar que a alteração da própria imagem nas redes é uma evidência da necessidade de apresentar uma aparência fictícia e que – consequentemente – pode acarretar em malefícios relacionados à saúde mental do próprio indivíduo.
É imperativo ressaltar os efeitos oriundos da exposição de imagens alteradas nas redes sociais sobre os usuários. Nesse sentido, tal manipulação corrobora com a ideia de uma sociedade que cultua o belo e que promove uma danosa exposição, já que afeta diretamente o bem-estar e o psicológico dos indivíduos, que se tornam insatisfeitos com a própria aparência e tendem a possuir problemas relacionados a dismorfia corporal e baixa-autoestima, dado que se comparam constantemente com a falsa realidade manipulada pelas redes sociais. Logo, é substâncial a mudança desse quadro.
Outrossim, é imperativo pontuar a postura capitalista de grande parte do empresariado da beleza que utiliza a internet como veículo para lucro. Essa lógica é comprovada pela enorme influência que o mercado da beleza gera sobre os indivíduos na atualidade, gerando padrões corporais e faciais impostos através de propagandas ilusórias e figuras de modelos alteradas por programas de edição de imagem. Consequentemente, é imperativo afirmar que respectivas empresas priorizam os ganhos financeiros em detrimento do impacto cultural que a manipulação de tais imagens pode gerar.
Portanto, é mister a alteração do cenário vigente. Para a conscientização efetiva da população a respeito do problema, é necessário que o empresariado da beleza veicule nas mídias fotos não alteradas de modelos e diversifique - ainda mais - a veiculação da singularidade de cada corpo e de imperfeições naturais, a fim de manter o usuário consciente de que padrões não devem ser seguidos e que a alteração de imagens não é necessária. Dessa forma, a realidade apresentada em “Queda Livre” poderá promover uma reflexão na sociedade virtual, de forma a transformá-la em menos padronizada e cada vez mais singular.