A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/12/2020

Rodrigo Alves, o famoso “Ken humano”, é um apresentador de televisão que realizou mais de 70 cirurgias plásticas para dar vida ao Ken, personagem do filme “Barbie”, e se livrar da baixa autoestima que possuía. De forma análoga a do artista, com o advento dos filtros, no meio virtual, a população brasileira tem buscado cada vez mais por procedimentos cirúrgicos, a fim de mudar a aparência física. Tal cenário é alarmante, visto que os efeitos cibernéticos têm deturpado a imagem que os usuários veem de si e prejudicado a saúde mental destes.

Primeiramente, é necessário entender o papel dos filtros na formação do novo ideal estético da sociedade: esses mecanismos foram criados pelas plataformas “Instagram” e “Snapchat” como forma de entretenimento, diversão e engajamento dos usuários da rede. Contudo, tais recursos passaram a  gerar problemas, uma vez que parte dos internautas construíram uma imagem adulterada deles e buscaram cada vez mais métodos que afinassem as bochechas, aumentassem os lábios e arqueassem as sobrancelhas, assim como acontecia nos filtros. Um exemplo disso é que, Segundo a Academia de Cirurgiões Plásticos, em 2017, 55% das pessoas que fizeram procedimentos cirúrgicos, nesse ano, tinham como referência os efeitos da rede social “Instagram”.

Outrossim, faz-se imprescindível dissertar acerca dos danos à saúde mental dos internautas. Consoante o veículo de informações “G1”, o aplicativo “Instagram”, após o conhecimento dos dados supracitados, removeu os filtros que simulavam cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos. Essa reação também é desdobramento de estudos que corroboram que os efeitos das redes sociais geram a busca descontrolada pela perfeição computadorizada e graves problemas psíquicos oriundos dessa prática. Queda na autoestima, insegurança, ansiedade, depressão e transtornos alimentares são algumas das consequências psicológicas causadas pelo mecanismo virtual na vida dos usuários.

Diante do exposto, é mister que medidas sejam empreendidas para impedir a manipulação da imagem e os danos à saúde mental dos internautas. Cabe, portanto, às redes sociais lançarem uma campanha de autoaceitação, de forma a exibir fotografias de pessoas reais, suas marcas, seus “defeitos”, além de mostrar os prejuízos que podem ser gerados por meio da procura pela perfeição inalcançável e os dados de intervenções cirúrgicas. Isso deve ser feito com o intuito de estabelecer uma consciência coletiva de que a beleza humana dificilmente poderá ser semelhante à aparência proporcionada pelos efeitos cibernéticos, de incentivar o desenvolvimento de uma melhor autoestima e  também diminuir os riscos de malefícios ao psicológico dos usuários de internet.