A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 21/11/2020
Semideuses somente nas redes sociais
Na série ‘’Black Mirror’’, original netflix, retrata uma realidade distópica e futurística, em um dos episódios, os indivíduos estão a todo momento conectados ao celular e ao ter qualquer interação humana, deveriam dar sua avaliação por aquele breve contato, e para receber boas avaliações, deveriam demonstrar que eram pessoas completamente felizes e simpáticas, tanto pessoalmente quanto no seu perfil, mesmo não sendo verdade. Fora dos tablados da ficção, a realidade não se difere, em que muitos nas redes sociais mascaram sua realidade. Por isso, torna-se necessário o debate acerca da alienação e idealização da imagem na internet e suas consequências à saúde mental.
Primeiramente, segundo Guy Debort, a sociedade do espetáculo é um conceito em que o espetáculo que é alimentado pelo consumo de imagens fabricadas, que não são reais,e as relações passam a ser mediadas pela reflexão delas. Sob esse viés, a sociedade tem a tendência de mostrar um perfil irreal, que consiste em seguirem modelos impostos, principalmente pela mídia. Portanto, ao ter a fabricação em massa de pessoas genéricas e padronizadas, há um impasse que dificulta a aceitação da imagem real. É notável que manipulação da imagem, é feita não somente para terceiros mas também para si mesmo.
Em segunda análise, é válido ressaltar a busca por um padrão inalcançável, e mesmo se chegar perto de alcançá-lo, algo terá que ser mudado, pois consiste em buscar algo irreal e idealizado. Com isso, causando inúmeros problemas, principalmente a síndrome da decepção, por nunca chegar ao objetivo do perfil perfeito. Além disso, muitos nas redes sociais estão em constante problema com depressão e ansiedade, pois o controle constante de sua personalidade e imagem fabricada causam esses efeitos. Nessa perspectiva, de acordo com Fernando Pessoa, poeta português, ‘’estou farto de semideuses, onde é que há gente no mundo?’’. Essa máxima do poeta é referente a quantidade excessiva de ‘’semideuses’’, sendo seres perfeitos, e a falta da representação de ‘‘gente’’, real e com suas imperfeições.
Em síntese, com o intuito de amenizar essas problemáticas, o poder público deve direcionar recursos para campanhas midiáticas e publicitárias, com o propósito de diminuir a padronização e buscar demonstrar os modelos infinitos da imagem e que não deve existir uma massificação de perfis. Ademais, a família e a escola, com palestras e debates sobre o tema, gerar uma ampla conversação sobre como reconhecimento e autoaceitação. Espera-se com isso, que os ‘’semideuses’’ não estejam em evidência e mais gente no mundo possam está sendo vistas nas redes sociais. .