A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 23/11/2020
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país com maior prevalência de quadros de ansiedade da América Latina. Sabe-se ainda que estatística como essa reverbera por todo o mundo e levanta questões e estudos necessários para entender esse contexto. A partir disso, revelou-se que um dos principais agravadores do cansaço mental e outros distúrbios psicológicos são as redes sociais. Assim sendo, a forma em como o indivíduo enxerga a si mesmo e a sociedade ao seu redor é completamente afetada e deve ser esplanada.
A priori é fundamental analisar esse fenômeno a partir do ponto de vista filosófico e sociológico para entender melhor o contexto social contemporâneo. Heidegger, filósofo existencialista do século XX elaborou um conceito chamado Das man, em português “Aquele”, que representa, de forma metafórica, um fantasma que se manifesta na voz do senso comum. Nas redes sociais, padrões de sucesso e fracasso em relação ao trabalho, a vida pessoal e a beleza física são pré-definidos pelo Das man que estabelece pré-concepções que refletem o interesse do coletivo, mas não do indivíduo pessoalmente. Deixando todas as vantagens mercadológicas em um plano secundário, as consequências a exposição excessiva às redes sociais gera uma contínua comparação de si mesmo com o outro. Entretanto, nem sempre o que é postado remete a realidade de alguém, mas ainda assim são tiradas conclusões a partir dessa distorção criada por todos que estão inseridos nessa mesma narrativa. Logo, é comum isso suscitar problemas mentais como ansiedade, baixa autoestima e depressão.
Em segundo plano, considerando o aspecto macroscópico, há aspectos positivos que devem ser mencionados tendo em vista as vantagens econômicas. Partindo disso, as propagandas dentre outros mecanismos de divulgação e marketing geram mais lucros se o receptor pensar que para alcançar o corpo ideal, a moda ideal ou o cabelo ideal, é preciso consumir aquele produto divulgado. Contudo, as vantagens não vão além disso, mas as pessoas continuam comprando sem nunca chegar perto do ideal estabelecido. Essa é a Indústria Cultural e é assim que isto funciona. Entretanto, apesar desse contexto parecer irreversível, Adorno e Horkheimer, dois sociólogos que escreveram o livro A Industria Cultural e Dialética do conhecimento, ao estudarem o assunto também descobriram um meio reversivo.
Portando, para combater o Das man é necessário que cada individuo aprenda a questionar tais preceitos, no intuito de aprimorar o nível de criticidade das sociedades, exatamente como sugerido por Adorno e Horkheimer. Para isso, o Ministério da Educação, sendo o órgão mais capacitado para a formação do indivíduo, deve interferir inserindo na base curricular nacional filósofos, além dos mencionados, que estudaram ou estudam esse contexto ampliando a criticidade de cada um.