A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 15/12/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superficiais que caracterizam essa nação. Nada longe da literatura, percebe-se aspectos semelhantes no que tange a questão da manipulação da imagem no virtual e seus malefícios à saúde mental. Com efeito, evidencia-se como causa a influência de famosos e a fetichização da estética pela mídia.
Em primeiro plano, é preciso atentar ao poder de influência dos famosos – os denominados: digital influencers. Na obra “O poder do mito”, Joseph Campbell indica que os jovens criaram seus próprios heróis correndo o risco de adotar referencias inadequadas. Ao atuar como digital influencer, as celebridades tornam-se o exemplo de beleza e personalidade de muitas pessoas, sem dar atenção para os imbróglios psíquicos que podem causar em quem não consegue se adequar.
Além disso, o problema da manipulação visual encontra terra fértil na fetichização da estética perfeita. É tácito que, o modelo padronizado de beleza viralizado pela mídia digital é o desejo de muitas pessoas que não se sentem adequadas ao padrão. Redes sociais como o Instagram, ao utilizar filtros de correção facial como ferramenta lúdica, fortalecem esse padrão- com risco de resultar em comparação e competição excessiva, depressão e transtorno de personalidade - ao invés de quebra-lo para favorecer a aceitação e diminuir os impactos mentais.
Diante do exposto, medidas são necessárias para conter esse imbróglio virtual. Assim, o Ministério da Educação e o Ministério Cultura, por meio de palestras e eventos socioeducacionais em escolas públicas, devem alertar sobre as consequências mentais da manipulação de imagens. Tais eventos ocorreram com frequência semestral e contaram com psicólogos e especialistas no assunto. Deste modo, uma sociedade integra será alcançada, contrariando assim, os comportamentos superficiais descritos por Machado.