A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 24/11/2020
A série ‘‘How to Sell Drugs Online’’ apresenta, em um de seus núcleos, a personagem Lenny, que apropria-se da imagem de seu amigo, buscando a idealização de um padrão estético estruturalmente imposto. Assim, ao passo que conhece pessoas em seu perfil falso, ele se distancia da sua própria realidade. Paralelamente, a ascensão de efeitos faciais nas redes sociais colaborou com a consolidação desse ideal, assim, estipulando um padrão de beleza, por muitas vezes, inalcançável, além de interferir negativamente na autoestima de muitos internautas, trazendo à tona a problemática da manipulação de imagens na internet e seus malefícios à saúde mental.
Em primeiro plano, a imposição de um padrão inalcançável de beleza é algo que permeia a mídia desde antes do surgimentos das redes sociais - como por exemplo, a Barbie. Desse modo, pode-se inferir que as redes sociais puseram em prática a falsa ideia de que esse padrão estético pode ser alcançado, com apenas um clique. Com isso, fazendo paralelo à ideia de Howald Becker - que diz que pessoas com características despadronizadas tendem a ser deixadas em uma ‘‘periferia social’’ -, é notório que, em suas vidas extra-virtuais, muitas pessoas tendem a vivenciar experiências que acarretem um sentimento de inferioridade devido a essa utopia estética.
Em segundo plano, como consequência do primeiro tópico, observa-se que a diminuição da autoestima é uma problemática recorrente entre os chamados ‘‘millennials’’. Sob esse viés, a manipulação visual nas redes sociais geral uma espécie de efeito dominó que, por sua vez, colabora com o alto índice de depressão entre as pessoas - muitas vezes atrelada a problemas de autoestima. Ademais, como pontua a socióloga Hannah Arendt: ‘‘a pluralidade é a lei da Terra’’; sendo assim, é válido destacar a importância da representatividade, no geral.
Portanto, torna-se notória a necessidade da reformulação dos ideias midiáticos que incentivam a manipulação visual nas redes sociais. Para isso, faz-se importante que as redes sociais - como Instagram e Twitter - deem visibilidade à valorização da autoimagem, por meio de uma campanha intitulada ‘‘autoamor’’, incentivando mobilizações virtuais e ‘‘hashtags’’. Assim, tendo isso em prática, aos poucos as pessoas tenderão a valorizar a própria imagem, evitando frustrações e malefícios à saúde mental, diferentemente do Lenny.