A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 26/11/2020

A obra “Discurso da Servidão Coletiva”, publicado em 1567 por Étienne de La Boétie, explicita que o próprio se escraviza quando, podendo escolher entre ser submisso ou livre, renuncia a liberdade. Acerca dessa lógica, o uso excessivo das redes sociais influi, substancialmente, na precarização das relações interpessoais. Não obstante, a exposição exacerbada de parte dos usuários contribui, em parte, para a falta de privação nos meios. Logo, atos estatais que transmudem os fatos são prementes.       Destarte, o imoderado número de horas “online” coopera, em parte, para o surgimento de dependências emocionais. Sob essa óptica, de acordo com o filósofo Byung-Chul Han, o ser humano está se arrastando atrás da mídia digital, transformando comportamentos, percepções, sensações e a vida em conjunto. Nesse viés, na tentativa de encontrar um refúgio nas redes é notável, que muitos usuários acabam se moldando aos padrões aceitos digitalmente, buscando a aceitação de pessoas que, muitas vezes, ele não conhece, em uma relação de superficialidade, complexificando suas relações fora das telas. Desse modo, medidas que mudem esse cenário são urgentes.

Outrossim, a acentuada exibição nas mídias coadjuva, em geral, na penúria de privacidade nessas plataformas. Nessa conjuntura, segundo aceito pela psicanálise, as redes sociais operam sobre o chamado “desejo de alienação do outro”, mantendo-o todo o tempo entretido. À vista disso, ocorre a necessidade dos utilizadores estarem a todo momento se renovando nesses meios, seja por fotos ou por interações, fato que auxilia, majoritariamente, na publicação de conteúdos apelativos, que ponham em risco a vida pessoal de milhares de jovens. Por conseguinte, torna-se mais eficaz a adoção de atos que visem ao bem-estar da maior parte da sociedade.

À luz dessas considerações, é fulcral que o Governo, junto ao Ministério da Saúde deve dispor de apoio psicológico gratuito aos jovens e adultos que sentirem suas relações interpessoais prejudicadas pelo uso exacerbado das mídias, instalando canais de comunicação direto com psicólogos, que instruam como diminuir os efeitos das redes na sua vida pessoal. Ademais, o Ministério das Comunicações deve realizar uma série de palestras em locais públicos, como parques e praças, com profissionais do ramo da informática e da comunicação, que conscientizem a maior parte da população sobre como a exposição exacerbada nas mídias pode acarretar na inópia de privacidade e na cobrança de usuários, muitas vezes desconhecidos, podendo pôr em risco o bem-estar pessoal. Por esses intermédios, a exposição nas redes sociais pode deixar de ser um imbróglio no País.