A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 24/11/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é caracterizada por um estado de bem-estar no qual uma pessoa é capaz de conciliar suas tarefas e vida social com a administração de suas emoções individuais. Nesse tocante, percebe-se que há uma maior uma atenção das pessoas, que visam atingir essa condição de forma plena, acerca do tema. Entretanto, as redes sociais dificultam esse processo, por serem um ambiente tóxico que interfere diretamente na autoestima dos usuários e, consequentemente, na saúde mental deles. Em verdade, as mídias sociais são capazes de influenciar os indivíduos na manipulação da imagem em virtude do padrão de beleza vigente e do capitalismo.

Sob esse viés, é fundamental discutir a busca incessante pela aparência perfeita, imposta pela comunidade. Nessa perspectiva, o sociólogo Durkheim definiu o “Fato social”, que são normas e valores culturais que moldam o comportamento da sociedade. À vista disso, esse conceito, relacionado à beleza, quando analisado no ambiente digital, está associado à características físicas como lábios grandes, uma face simétrica e nariz fino. Portanto, esses traços são fortemente buscados pelas pessoas, que acreditam que só eles são capazes de faze-las serem amadas e aceitas pelos outros.  Em razão disso, diversos filtros computacionais que simulam esses atributos foram criados e passaram a ser usados pelas cidadãos. Todavia, eles fazem parte de um padrão irreal de beleza que contribui para a baixa autoestima e para o desenvolvimento de doenças como a depressão e a bulimia.

Outro aspecto relevante é o capitalismo, que se aproveita da fragilidade do usuário a respeito de sua imagem. Sob essa ótica, uma pesquisa feita pela Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial (AAFPRS) em 2017 revelou que 55% dos cirurgiões relataram ter visto pacientes que desejavam alterar sua aparência para melhorar as selfies. Consoante, fruto do capitalismo, diversos médicos e profissionais de estética divulgam seus serviços nas redes sociais, para conseguir clientes insatisfeitos com seu físico, coeso com défices na saúde mental, e ganhar dinheiro, mesmo sabendo dos malefícios dos procedimentos. Isto posto, conclui-se que as empresas lucram em cima da vontade de indivíduos em serem aceitos pelas mídias.

Nessa conjuntura, é possível inferir que o sistema econômico e o ideal de beleza são causas do assunto tratado. Logo, para que ocorra uma mudança na realidade do Brasil a respeito da temática, é necessário que o Ministério da Saúde promova palestras gratuitas e grupos de apoio que visem a conscientização da população e a saúde mental. Outrossim, esses eventos devem ocorrer em praças e escolas públicas e, por meio deles, será possível dispersar a importância do amor próprio e do cuidado ao fazer uso das redes sociais para toda a população, a partir da troca de experiências e da educação.