A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 24/11/2020

O autoconhecimento é o entendimento do indivíduo sobre si mesmo, que advém a partir do contato com as motivações e dissidências inconscientes. É inegável que, com o avanço da cultura das redes sociais atrelado ao incremento da indústria estética corporal, a autognose está sendo negligenciada, por meio da manipulação de imagem pessoal nos aplicativos midiáticos. De fato, nas culturas fortemente marcadas por modelos estéticos, notabiliza-se a associação entre os padrões de beleza e a necessidade de alteração das fotografias, além dos malefícios à saúde mental. Diante disso, sublinha-se não só a instabilidade psicológica, como também a baixa inteligência emocional dos sujeitos.

A priori, ressalta-se a instabilidade psicológica das pessoas. Segundo Bauman, as redes sociais são muito úteis, mas são uma armadilha. Analogamente, as determinações socioculturais, difundidas pelas mídias digitais, modelam subjetividades e impulsionam a manipulação de imagens, espelhando uma cilada aos indivíduos. Somado a isso, constata-se que a presença de tais agentes externos impacta no equilíbrio psíquico humano, corroborando a busca infatigável pelo ideal de beleza, bem como a visão de um corpo passível de constante remodelagem. Desta forma, a alteração de fotos nas redes sociais torna mais frequente a assiduidade de doenças psicopatológicas, tais como a depressão, cardiopatias e transtornos de ansiedade.

Ademais, destaca-se a baixa inteligência emocional dos indivíduos. Em conformidade com Freud, o sujeito foge da outra categoria, ou seja, da realidade quando o preço a se pagar para estar nela é alto demais. Nesse tocante, sobressai a renúncia ao contato interno e a perda da conexão com o corpo real, em que a pessoa se torna suscetível a sucessivos manejos nas fotografias, sobretudo as relacionadas à imagem pessoal. Sob essa perspectiva, evidencia-se que a baixa inteligência emocional proporciona a eventualidade de inúmeros conflitos intrapessoais, suscitados por paulatino estado de estresse, impaciência e ansiedade.

Posto isso, urge a imprescindibilidade de enfrentamento ao imbróglio da manipulação de imagem e seus efeitos adversos à saúde mental. Dessa forma, faz-se mister que o Executivo Federal, por meio do Ministério da Saúde, invista na criação de núcleos de atenção psicológica primária, a fim de fornecer assistência aos indivíduos que possuem instabilidade psicossomática. Outrossim, cabe as mídias - grandes difusoras de informação - promoverem a realização de palestras de educação psicossocial, com o fito de desconstruir a ideia de uma busca de auto-imagem ideal - muitas vezes, biologicamente impossível de ser atingida. Dado o exposto, convém enaltecer que a situação será deliberada rápida e verdadeiramente.