A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 24/11/2020

No documentário “O dilema das redes” é abordada, entre outros temas, a insatisfação com o próprio corpo vivida pela nova geração exposta diretamente à internet. Sob esse prisma, a produção audio-visual escancara a situação, até então pouco debatida, e a relaciona à modificação da imagem individual. Assim, surge a problemática da manipulação da aparência e seus efeitos negativos, que ocorre em função da cultura de comparação em massa e da facilidade de se encontrar plataformas que possibilitam transformar suas feições.

Em primeira análise, a normalização de comportamentos autodepreciativos na internet é uma das principais causas do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Dessa maneira, se conclui que comparação compulsiva se faz presente de maneira plural na sociedade brasileira. Assim, a continuação do pensamento de inferioridade, comum entre os jovens, funciona como base forte dessa forma de mal estar, perpetuando o problema no Brasil.

Outrossim, a diversidade de aplicativos cuja principal função é alterar a fisionomia do usuário contribui para impulsionar a problemática. Sob essa ótica, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), nos últimos dez anos houve um aumento de 141% nos procedimentos em jovens. Isso se dá em função da pressão estética exercida em níveis exacerbados, devido às fáceis modificações que se pode fazer,em fotos,por essas plataformas. Logo, é necessário que ações sejam tomadas a fim de minimizar a ocorrência da questão.

Em suma, a cultura de desvalorização do próprio corpo e a popularização de aplicativos modificadores de feições contribuem para a conjuntura da problemática. Desse modo, cabe à Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - SNDCA, responsável pela defesa dos direitos dos jovens, dificulte a realização de cirurgias plásticas por estes, por meio da adição de novas leis ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a fim de atenuar os efeitos da pressão estética no país.