A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 24/11/2020

Não há dúvidas de que a manipulação de imagem nas redes sociais é algo extremamente comum e ganhou forças em 2011, após o “Snapchat”, aplicativo de mensagens baseado em imagens que apresentam inúmeros filtros diferentes, ser criado. Entretanto, não é apenas essa rede social que influencia as pessoas a usar esses efeitos, uma vez que o Instagram é uma das maiores plataformas de divulgações de fotos irreais. Nesse cenário, vale ressaltar a visão de Adorno, a qual indica que a Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos e tudo se torna negócio. Certamente, as principais causas para essa problemática são a insegurança com a própria beleza e a tentativa dos cidadãos de se incluir no padrão de simetria imposto pela sociedade.

Indubitavelmente, é perceptível que um grande fator que influencia na manipulação de imagem na internet é o descontentamento e a falta de segurança com a própria figura que as pessoas apresentam. Nessa análise, segundo estudos divulgados pelo Jornal da Globo, 92% (Noventa e dois por cento) das mulheres brasileiras não estão satisfeitas com a própria aparência e pegam como referência os filtros das redes sociais. Dessa forma, a frustação faz com que as pessoas utilizem mais efeitos de edição e desenvolvam problemas psicológicos fora das redes sociais, como a depressão e a ansiedade.

Ademais, o esforço que os indivíduos fazem para se encaixar no “padrão” de perfeição imposto pela sociedade é de extrema influencia para a modificação das fotos postadas nas mídias. Com isso, de acordo com uma pesquisa realizada pela marca Dove, aproximadamente 60% (sessenta por cento) das mulheres afirmam sentir pressão para ser bonita. Assim, o aumento da utilização de aplicativos de photoshop se torna inevitável e o elevado número de cirurgias plásticas não para de crescer. Nessa perspectiva, segundo levantamento divulgado pela Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética, em 2018, o Brasil realizou 1.498.327 cirurgias estéticas.

Em suma, é fundamental a criação de ações que visem combater essa grande manipulação existente na internet. Portanto, faz-se necessário que as redes sociais ajudem a promover maior aceitação das pessoas, por meio da exclusão de filtros que modificam a imagem, para que os indivíduos não se vejam de uma maneira que não são e, assim, não se sintam aborrecidos com a própria figura. Outrossim, é essencial que o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Comunicação promovam palestras e campanhas conscientizadoras, por meio da disponibilização de verbas, que visem mostrar à população os riscos enfrentados em procedimentos estéticos e, também, realçar que não existe padrão de simetria a ser seguido. Por conseguinte, os sentimentos de autoconfiança em relação à perfeição irão aumentar, afinal, cada um tem sua própria beleza.