A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 25/11/2020
A série “Years and years” retrata um cenário futurista no Reino Unido, mostrando as transformações ocorridas na família Lyons ao longo dos anos. Nesse contexto, a personagem adolescente Bethany utiliza filtros de realidade aumentada constantemente para comunicar-se com outras pessoas. Fora da ficção, é possível observar comportamentos análogos em relação à manipulação de imagem, principalmente, nas redes sociais. Dessa forma, a má influência midiática e a mentalidade capitalista podem ser citadas como fatores que impulsionam a problemática. Logo, é necessária a análise dessas questões para que soluções cabíveis sejam executadas.
Como ponto de partida, é importante compreender sobre o papel influenciador da mídia nas relações sociais. De acordo com o filósofo John Locke, o ser humano é como uma tela em branco, que é preenchida por suas experiências e influências. Com base nisso, percebe-se que os recursos midiáticos auxiliam na formação pessoal dos indivíduos. Sendo assim, o fortalecimento dos padrões de beleza através dos filmes, programas de televisão, séries, entre outros canais colabora para a manipulação das fotos nas plataformas digitais. Diante disso, é inaceitável a perpetuação dessa prática que reforça padrões inalcançáveis e não promove a autoaceitação.
Ademais, cabe pontuar também o sistema capitalista vigente como um dos pilares propulsores da temática. Isso porque os procedimento estéticos são vendidos como caminho para se encaixar nos padrões preestabelecidos pela sociedade. A exemplo disso, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética divulgou que o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Desse modo, é nítido que a preocupação com a imagem ultrapassa os riscos com a saúde física e mental, essa que fica vulnerável a depressão, estresse, ansiedade e outros problemas emocionais.
Portanto, faz-se imprescindível a mudança desse insatisfatório panorama. Para isso, o Ministério da Educação, extensão governamental responsável pelo sistema educacional, deve implementar nas salas de aula a temática dos padrões estéticos, por meio de atividades pedagógicas e palestras, a fim de desenvolver o senso crítico desde a infância e mostrar os prejuízos da manipulação da imagem nas redes sociais. Dessa maneira, a utilização constante de filtros, como Bethany fazia, será menos frequente.