A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/12/2020

Na série “Black Mirror”, em um de seus episódios, é abordado o ódio extremo nas redes sociais e suas consequências, agravadas devida a falta de consciência e empatia dos usuários da internet. Analogamente, não é diferente no que diz respeito à manipulação de imagem nas redes sociais e seus reflexos negativos à saúde mental na sociedade brasileira. Nesse sentido, existem fatores, como a padronização da beleza e o individualismo, que colaboram na persistência dessa problemática. Assim, é mister que medidas sejam tomadas a fim de alterar esse cenário.

Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que a manipulação de imagem gera uma versão maquiada da realidade que acaba sendo consolidada como um padrão de beleza. Nesse segmento, os canais midiáticos, como as redes sociais, por exemplo, exibem conteúdos nos quais os participantes aparecem com um “corpo perfeito”, o que acaba idealizando um padrão estético. Desse modo, essa forte manipulação contra a autoestima das pessoas, acaba sendo um catalisador de problemas psicológicos. Portanto, é inadmissível que essa situação continue a perdurar.

Em segundo plano, é válido destacar o individualismo humano como uma das causas do problema. Segundo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é fortemente pautada no egoísmo. Dessa maneira, o uso desenfreado de filtros nas redes sociais, muitas vezes, reflete apenas a necessidade de um indivíduo melhorar sua aparência, não se importando em como isso afetará as demais pessoas. Concomitantemente, um desses filtros pode causar gatilhos e potencializar a negatividade de uma pessoa e abalar seu emocional. Logo, percebe-se a necessidade de os indivíduos serem mais empáticos, a fim de evitar causar mal à saúde mental de outros cidadãos.

Em suma, é preciso que medidas sejam tomadas. Dessa forma, cabe ao Ministério das Comunicações, responsável por políticas midiáticas, criar propagandas sobre os impactos da manipulação de imagem à saúde mental, por meio da capacitação de psicólogos, a fim de estimular a empatia da população. Além disso, a sociedade deve mitigar a estereotipação de um padrão de beleza. Assim, a falta de consciência e empatia, discutida na série “Black Mirror”, não será mais uma realidade.