A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/12/2020
No livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é retratada a Campanha de Canudos, conflito que matou milhares de nordestinos Na época, as lideranças nacionais, com o intuito de “manter as aparências”, disseminaram a falsa ideia de que Canudos planejava o retorno da monarquia, o que ocasionou grande exaltação dentre a sociedade urbana do litoral. Contemporaneamente, é possível traçar um paralelo entre o livro apresentado e o dilema da manipulação de imagens nas redes sociais, uma vez que tal comportamento, ampliado pela visão de um “estilo de vida perfeito”, traz diversos malefícios à saúde mental dos usuários. Visto isso, é mister que tal questão seja debatida, e que possíveis soluções sejam encontradas.
Antes de tudo, é fundamental apontar que as redes sociais impõem um “padrão de vida adequado” aos usuários. Em “1984”, de George Orwell, é apresentada uma realidade distópica na qual o governo usa mentiras como ferramentas para a manipulação das massas e a manutenção do poder. Nessa perspectiva, todos aqueles que não vivem de acordo com as normas do Partido estão, necessariamente, errados. Fora da ficção, é perceptível como tal cenário se relaciona ao pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, que dita que o consumo de conteúdos digitais modela as personalidades, obrigando as pessoas a se encaixarem em um padrão, considerado correto. Assim sendo, é visível como as redes influenciam seus usuários, no que tange à padronização de comportamentos e ideias.
Além disso, é importante ressaltar que o não alcance do “estilo de vida ideal” gera, para muitas pessoas, problemas relacionados à saúde mental. Os usuários, ao não atingirem as metas impostas pela rede, muitas vezes fictícias, sentem-se decepcionados com a própria vida, o que gera baixa auto estima e negação. Ainda, no final do ano de 2019, a rede social “Instagram” removeu o número de curtidas nas fotos postadas pelos usuários, como forma de não deixar que os números importem mais que o conteúdo. Tal ação está diretamente conectada ao combate à padronização do modo de vida, dado que a censura da quantidade de “likes” diminui a insegurança das pessoas. Assim, é evidente a correlação entre a saúde mental dos usuários e a importância dada por estes às redes sociais.
Dado o exposto, é dever dos administradores das redes sociais a ampliação de medidas a favor do combate ao consumo digital exagerado, através do bloqueio de conteúdos nocivos à saúde mental dos usuários, diminuindo assim a padronização imposta pelo mundo virtual. Ademais, cabe às mídias promover campanhas informativas, por meio de propagandas, a favor da diminuição de problemas relacionados aos prejuízos da manipulação de imagens nas redes sociais à saúde mental. Feito isso, as pessoas poderão desfrutar as redes sociais sem se preocupar em “manter as aparências”.