A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/12/2020

Em meio à contemporaneidade do século XXI, as redes sociais são o mecanismo essencial do capitalismo midiático, reforçando o conceito de Sociedade do Espetáculo introduzido por Guy Debord em 1967. Nesse modelo social, as relações são mediadas pelas imagens e tudo é transformado em publicidade, inclusive o próprio indivíduo. É nesse contexto, portanto, que as mídias sociais funcionam como mecanismo de venda e de propagação de padrões de beleza e massificação estética através da manipulação, influenciando no crescimento do mito de uma perfeição inexistente. Por isso, é necessário maior reflexão acerca dos malefícios desses fenômenos virtuais à saúde mental de seus usuários.

Primeiramente, é importante ressaltar as consequências da disseminação irresponsável de padrões de beleza através das redes sociais. A banalização da manipulação de imagens através de filtros que simulam cirurgias plásticas ou de modificações em fotografias corporais têm gerado uma série de problemas. Com a divulgação em massa de tais imagens nas redes, por exemplo, forma-se o conceito de uma perfeição que não existe na vida real, mas que é incansavelmente procurada por todos. Assim, isso reflete no aumento da baixa autoestima, da ansiedade e até mesmo de quadros de depressão entre usuários das mídias sociais, constantemente frustrados por um padrão irreal. Logo, torna-se visível a importância de um maior monitoramento sobre a manipulação de imagens nas redes.

Em segundo plano, deve-se analisar os danos da aderência aos padrões de beleza para a identidade pessoal. Como esses padrões são fixos e homogêneos, os resultados de sua disseminação refletem em uma sociedade de traços estéticos cada vez mais semelhantes através da busca por cirurgias que os atendam. Dessa forma, é possível afirmar que essa massificação estética intensifica os preconceitos raciais e étnicos a quem não se encaixa nas características mais valorizadas pela mídia. Além disso, também é possível citar a perda da individualidade como consequência desse fenômeno, considerando a compatibilidade das transformações mais desejadas. Portanto, evidencia-se a necessidade do encorajamento civil de movimentos contrários aos opressivos padrões estéticos.

Em síntese, a diminuição dos malefícios causados pela manipulação de imagens depende de medidas efetivas. Em primeiro lugar, é dever da gestão das redes sociais promover um melhor monitoramento das imagens publicadas através de alertas aos usuários sobre aquelas que foram esteticamente modificadas, a fim de diminuir a busca pelos padrões irreais. Além disso, o Ministério da Educação deve desenvolver campanhas instrutivas sobre os malefícios da pressão e massificação estética para a saúde mental, incentivando a construção de uma sociedade mais diversa. Com isso, será possível minimizar os danos gerados pela contemporânea e midiática Sociedade do Espetáculo.