A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 25/11/2020

O filósofo Pierre Bourdieu, na teoria do “habitus”, afirma que todo o indivíduo tende a internalizar padrões da sua circunvizinhança e reproduzi-los. Sob tal ótica, nota-se que o grande “habitus” da contemporaneidade é a imagem pessoal, a qual é constantemente manipulada nas redes sociais para enaltecer um padrão utópico disseminado pelas mesmas ferramentas, o que trás malefícios a saúde mental do cidadão. Essa realidade degradante persiste devido à superestimação da imagem pela sociedade e à terceirização da responsabilidade estatal.

É relevante ressaltar, primeiramente, que há uma deseducação social quando trata-se da relevância das simbologias que apresentam um brasileiro a outro, fazendo com que as aparências tenham mais valor que o conteúdo. Isso faz com que as pessoas sintam a necessidade de fingir ter personalidades que não têm ou mudar partes do seu corpo, para inserir-se num padrão estético. Prova disso, são os estudos da Academia Americana de Cirurgiões Plásticos, os quais comprovam que o motivo de 55% das rinoplastias em 2017 foi o desejo de sair-se melhor em fotos para as redes sociais. Logo, nota-se que o Brasil necessita irrefutavelmente de uma educação que destrua simbologias, não que as crie.

Cabe salientar, além disso, que o Estado tem sua responsabilização terceirizada quando se trata de assegurar o equilíbrio psíquico dos cidadãos nas redes sociais, ela sempre acaba recaindo sob os pensadores da ferramenta ou sob o próprio indivíduo. Contudo, é garantido, pelo artigo 6º da constituição de 1988, que a saúde é um direito inalienável e sabe-se, por meio do filósofo Michel Foucault, que o ser humano é uma construção “biopsicosocial”, em síntese, só há a dignificação do cidadão se lhe for proporcionado, além dos outros direitos básicos, a garantia de sua saúde mental. Torna-se óbvio, por fim, que essa não é uma responsabilidade de terceiros, e sim do estado.

Portanto, diante da manipulação da imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental, é imperativo que o Ministério da Educação inicie um projeto que vise eliminar simbologias e enaltecer as peculiaridades individuais. Isso deve ser feito nas próprios aplicativos de socialização com auxílio de psicólogos, profissionais em imagem e “influencers”, os quais irão descontruir esses padrões com vídeos e textos informativos, diferindo a superestimação da imagem da realizada. Dessa forma, o contato diário com esse projeto  fará os usuários interiorizar aceitação e repassa-la, criando um novo “habitus”. Ademais, o Estado deve responsabilizar-se pelo desequilíbrio psiquico de sua pátria e agir em prol assegurar o direito à saúde mental dos brasileiros, por meio da repreensão das plataformas que disseminam padrões utópicos com multas e com a criação de campanhas que enalteçam a variedade brasileira, para que o cidadão brasileiro seja uma imagem de inspiração, não de manipulação.