A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 26/11/2020

No conto de fadas alemão “A Branca de Neve”, publicado no século XIX pelos Irmãos Grimm, a busca extremada pela beleza leva a Rainha Má a comportamentos manipuladores, nocivos a si mesma e às pessoas ao seu redor. Embora tal história seja fictícia, nos dias atuais, a busca pela idealização corporal tem aumentado exponencialmente as maneiras de adulteração da imagem, e assim, elevado tal conduta a níveis psicopatológicos. Isso se dá não só graças à indústria estética, que se aproveita das inseguranças superficiais alheias, mas também pela falta de criticidade do corpo civil.

Em primeira análise, inegável o poder de influência dos programas de alteração de imagens no processo de tomada de decisão a respeito das cirurgias plásticas. Sob essa ótica, é válido afirmar que, segundo o filósofo idealista Friedrich Hegel, o homem é fruto do tempo em que vive. Diante disso, segundo o portal G1, em 2019, a rinoplastia, um procedimento comumente simulado em filtros de redes sociais, se tornou uma das operações mais realizadas no Brasil. Fica claro, desse modo, que o mercado estético se vale de algoritmos para fabricar desejos de idealização corporal cada vez mais utópicos, e objetiva assim lucro, mediante a alta demanda de intervenções prejudiciais à saúde, em detrimento das consequências terríveis à sanidade mental da sociedade.

Outrossim, é pertinente ressaltar a falta de prudência da população brasileira ao utilizar ferramentas que distorcem a realidade visual em prol de uma aparência plástica. À sombra disso, tal conjuntura de obscurantismo civil é análoga à menoridade intelectual, delineada pelo filósofo iluminista Immanuel Kant, o qual afirma que o indivíduo alcança sua “maioridade” quando deixa de agir de maneira alienada e passa a proceder consoante ao exercício da razão. Logo, o brasileiro só alcançará a postura de maioridade crítica quanto aos perigos da manipulação da aparência quando perceber que os efeitos embelezadores são extremamente nocivos ao bem estar psíquico, na medida em que atropelam a realidade, e, consequentemente, geram frustrações e desgastes mentais, como baixa autoestima, distúrbios de ansiedade e até quadros depressivos.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper tal problemática. Para isso, é essencial que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, crie políticas que promovam a aceitação e a valorização do corpo, por meio tanto de comerciais televisivos quanto de palestras em universidades, que apontem os perigos da distorção da imagem, bem como indiquem os riscos dos procedimentos estéticos interventivos. Dessa forma, a sociedade caminhará para o esclarecimento, e ganhará assim maior poder de discernimento quanto à padronização irreal da beleza pelos filtros do mundo virtual.