A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 27/11/2020
Em um episódio da série “Black Mirror”, é narrada a história de Lacie que vive em uma sociedade distópica baseada em um sistema de reputação. A fim de melhorar sua posição social e econômica, Lacie busca constantemente seguidores e curtidas, entretanto, enlouquece por causa de seu desespero e termina sendo aprisonada e excluída da sociedade. Infelizmente, essa situação não se resume às telas, sendo realidade de muitos usuários das redes sociais que omitem a verdade através da manipulação de imagem, não medindo as consequências que as alterações podem causar na saúde mental.
Primeiramente, vale ressaltar que as comunidades virtuais são regidas por padrões de beleza impostos por quem possui mais influência, logo, os indivíduos que não estão de acordo com esses padrões são submetidos a modificarem-se para se encaixar. Nessa perspectiva, mulheres e homens procuram medidas para mudar seu corpo, como, por exemplo, o caso da celebridade Kim Kardashian que aumentou os lábios, desencadeando milhares de procedimentos estéticos por parte de seus seguidores que queriam adquirir os lábios grossos. Em outras palavras, há pessoas que estão cometendo atitudes radicais para atingir a ideia de perfeição inserida em suas mentes.
Além disso, as exposições de vidas estão cada vez mais idealizadas pelos expectadores, pois, segundo a Sociedade do Espetáculo retratada pelo filósofo Guy Debord, os produtores dessas vidas espetaculares não exibem a realidade. Consequentemente, quem acompanha esses espetáculos não enxerga os bastidores por trás, passando a acreditar que é algo real, e a se comparar com essa falsa realidade, levando-o a frustrações, tristezas, baixa autoestima e até mesmo a depressão.
Portanto, as redes sociais de maior engajamento - Instragram, Facebook e Snapchat - devem inserir, por meio de suas plataformas, informações adicionais nas fotos publicadas quando essas possuírem alterações, como filtros de emagrecimento, coloração de pele e olhos, por exemplo, assim as pessoas terão mais clareza do que é real, e por fim diminuir a idealização social e deixar a padronização mais afastada da realidade. Ademais, o Ministério da Educação, através das escolas, deve propôr aulas especiais sobre a utilização da internet e como se portar perante ela, além de conceder psicólogos especializados para os alunos, com o objetivo de combater os malefícios causados pelas manipulações das redes sociais.