A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 27/11/2020
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, padronizada pela ausência de conflitos internos e problemas sociais. Fora da ficção é fato que ocorre o oposto do retratado por More, no que diz respeito à saúde mental da sociedade, uma vez que a manipulação das imagens em redes sociais contribui para uma baixa autoestima do indivíduo e uma banalização de procedimentos estéticos.
Em primeira análise vale ressaltar que muitos aplicativos de redes sociais e edições de fotos disponibilizam filtros capazes de modificar e distorcer a imagem real para um padrão de beleza totalmente artificial criado pela sociedade moderna. Esses filtros contribuem para uma sociedade frustrada com sua aparência, o que acarreta em uma baixa autoestima, levando o indivíduo na grande maioria a não se aceitar fisicamente, desenvolver doenças psicológicas ou em casos mais graves até mesmo ao suicídio.
Ademais, essa frustração pela própria aparência tem gerado uma onda de realização de cirurgias e procedimentos estéticos de alto risco. Essas cirurgias tem se tornado algo totalmente banalizado e vem sendo indicadas livremente pelos adeptos da mesma. Aqueles que sofrem de baixa autoestima, em alguns casos, recorrem à essas cirurgias pelo padrão estético gerado através de filtros. Todo esse movimento vai contra a teoria de Francis Bacon de que a tecnologia veio não só para gerar conhecimento mas também para facilitar a vida do homem.
Em virtude dos fatos apresentados, infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater a manipulação da imagem nas redes sociais. O governo deve, em parceria com psicólogos, por meio de campanhas sociais, ministrar palestras, virtuais ou presenciais, nas escolas sobre assuntos relacionados a autoestima e padrões de beleza, com finalidade de conscientizar cada vez mais a sociedade sobre o combate a esse padrão estético. Só assim a população estará mais próxima daquela retratada por More.