A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/12/2020
No livro o Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, o personagem principal vende sua alma, fazendo com que somente seu retrato no quadro envelheça, enquanto que, aos olhos de todos, sua aparência continua bela e jovem. Desse modo, fora da ficção, a utilização de programas que alteram a imagem sustentam um primor virtual irreal e, com isso, trazem malefícios à saúde mental do cidadão. Isso se dá em virtude dos padrões impostos e do sentimento de inadequação frente a ilusão das postagens.
Em primeira instância, é válido ressaltar que muitos dos filtros utilizados visam esconder ou modificar imperfeições com base em padrões considerados belos. De acordo com isso, muitos aplicativos de manipulação de imagens já vem com botões que dizem: reduzir o nariz, suavizar as olheiras, afinar a cintura, definir os músculos e etc. diante disso, nota-se que a beleza já está estipulada, bastando ao usuário “melhorar” sua foto com as opções predefinidas. Sob essa perspectiva, essas alterações podem alterar as percepções da autoimagem e impactar em baixa autoestima.
Outrossim, esse desalinhamento do real com a perfeição encontrada no ambiente virtual, pode culminar na sensação de não pertencimento social e desencadear um quadro depressivo. Sobre isso, a psiquiatra Ana Beatriz, do canal Mentes em Pauta no YouTube, reforça que a preocupação excessiva em mostrar-se sempre bem no mundo virtual tem aumentado os casos de ansiedade e depressão, pois é a busca de um primor irreal.
Em suma, percebe-se a necessidade de medidas que atenuem essa situação. Logo, cabe ao Ministério da Tecnologia e Ministério da Saúde criarem medidas que melhore a integração dos usuários com as mídias sociais. Tal projeto deve consistir em legendas nas imagens manipuladas e grupos de apoio, com psicólogos, que visem o cuidado com a saúde mental da população. Feito isso, a sociedade caminhará para longe do mundo de aparências retratado no livro de O. Wilde.