A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 29/11/2020

No século XX a Terceira Revolução Industrial foi responsável por vários avanços tecnológicos, a internet, por exemplo. Entretanto, tais modernizações trouxeram consigo o desenvolvimento de um universo de relações superficiais, em virtude disso, o Brasil contemporâneo encontra como obstáculo o que tange a manipulação de imagens nas redes sociais e seus malefícios para à saúde mental. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema, por conta de fatores históricos e da necessidade da aprovação alheia.

Primeiramente, é importante enfatizar que os padrões de beleza -desde as civilizações antigas- são pautados na classe social, ou seja, ser bonito significa ter dinheiro. Tal fato é evidente nas obras renascentistas, como exemplo, “O Nascimento de Vênus”, na qual é retratada uma mulher curvilínea, pois na época ser belo era sinal de comer bem o ano todo, ação que era majoritariamente restrita à nobreza. De maneira análoga, a modernidade também prega esse conceito em seus critérios de aparência, uma vez que estar no padrão é o mesmo que ser magro e torneado, isto é possuir fins monetários para bancar alimentação, academia, e além disso ter tempo. Como consequência, desse padrão hierarquizado enraizado historicamente na sociedade, algumas pessoas recorrem a filtros embelezadores e até mesmo desenvolvem doenças, como bulimia e anorexia.

Ademais, é indispensável salientar que a atualidade tecnológica é baseada na denominada “Cultura dos Likes” ,esse fator faz com que muitos dependam da aceitação do próximo. Sobre isso, a série americana “Black Mirror”, em um de seus episódios, apresenta uma sociedade que segrega  as pessoas  pela quantidade de curtidas nas redes sociais. Esse mecanismo obriga uma mulher a fazer de tudo para conseguir engajamento. Semelhantemente, a grande massa- em destaque a conhecida “Geração z”- utiliza os efeitos embelezadores dos aplicativos para conseguir respostas positivas de seu público. Consequentemente, esses artifícios criam aparências inalcançáveis, o que colabora para que diversos indivíduos  se sintam mal por não se parecerem com suas formas “melhoradas” quando estão fora do mundo virtual.

Logo, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Para garantir a saúde mental da população e desconstruir conceitos históricos prejudiciais, urge que o Ministério da Educação-órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação- por meio da associação com mídias de grande acesso, crie vídeos informativos que expliquem para os cidadãos-principalmente os jovens - a periculosidade da manipulação de imagem nas redes. Somente assim, histórias como a retratada em “Black Mirror” serão evitadas e o bem estar social será garantido.