A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 01/12/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde é o estado de completo bem estar social, e não apenas a ausência de enfermidades. Nesse sentido, com o aumento da depressão entre jovens, a saúde mental passou a ser um debate relevante em voga. Com efeito, é evidente que barreiras como o preconceito das gerações passadas e a pressão advinda das redes sociais agravam o cenário.

De fato, há por parte das pessoas mais velhas, um certo olhar de irrelevância para a questão da saúde metal no Brasil. Sobretudo por que enfrentaram um século XX marcado por problemas “maiores”, vide a Ditadura Militar e seus entraves socioeconômicos, o que, após superá-los, observam as demais questões como supérfluas. Basta ver que, não raro, há o senso comum de pais e avós que depressão e deprimência são mera “frescura” causados por excesso de “mimação” com os filhos, sendo que, na juventude desses, as coisas eram “mais difíceis”. Nisso, para não ser taxado de ingrato, cria-se um receio por parte dos jovens em conversar sobre saúde mental com os pais, criando um efeito bola de neve que tende a transtornos psíquicos maiores, como a própria depressão.

Ademais, Guy Debord, pensador francês, visualizou que a contemporaneidade é marcada pela Sociedade do Espetáculo, em que as imagens da mídia e das redes sociais ganham o poder de manipular o comportamento do indivíduo. Com isso, é factível que a exposição excessiva de fotos esbanjando ostentação e sucesso profissional leva àqueles que ainda pouco conquistaram; ou seja, o jovem, sobretudo o de classe média baixa, a se sentirem inferiores e despertencidas a uma realidade de conquistas. Nesse contexto, com o consumo diário de fotos e vídeos, acumula-se o sentimento de fracasso e atraso, elevando isso à depressão e, também, à ansiedade, já que a imagem de “sucesso” do outro influencia o jovem a ver a falta de sucesso em si. Assim, ratifica-se a juventude psicologicamente afetada devido à manipulação das redes sociais.

Entende-se, portanto, que o preconceito familiar e a influência da mídia dificulta a saúde mental do jovem. A fim de atenuar os problemas, é necessário que o Ministério da Saúde inicie campanhas de prevenção a tais distúrbios, manejando, por meio de rodas de conversa e atividades a interação entre pais, psicólogos dos filhos, desfazendo-se dos preconceitos. Além disso, é preciso que escolas e universidades ensinem, através de aulas de Filosofia e acompanhamento psicológico, o indivíduo a trabalhar melhor os valores sociais, de modo que não se sinta afetado pela mídia. Dessa forma, o jovem terá mais abertura para pensar e falar, a caminhar para um psíquico mais saudável.