A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/12/2020

No livro o Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, o personagem principal faz um pacto para se manter sempre belo aos olhos de todos, enquanto que seu quadro sofre com as transformações do tempo. Contudo, fora da ficção, na contemporaneidade encontra-se pessoas que manipulam suas postagens nas redes sociais para que possam ser vistas sem imperfeições. Com base nisso, essas alterações de imagens têm trazido malefícios aos cidadãos, impactando na autoestima dos usuários que sentem não se encaixar nesse primor virtual e causando doenças mentais.

Em primeira instância, ressalta-se que as mídias sociais centradas na imagem, como “Snapchat” e “Instagram”, são as mais utilizadas pelos internautas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública (IBOP). Desse modo, o bombardeamento de imagens modificadas, faz com que a realidade, com imperfeições inerentes ao ser humano, gere desconforto, desencadeando distúrbios mentais como ansiedade e depressão. Sob esse aspecto, percebe-se que a influência da manipulação das postagens é nociva à saúde mental da população.

Outrossim, a constante necessidade de adequação a esse mundo virtualmente perfeito tem aumentado o número de casos de transtornos mentais. Sobre isso, a psiquiatra Ana Beatriz, do canal Mentes em Pauta do “YouTube”, explica que a preocupação excessiva com a perfeição para a aprovação nas mídias sociais têm repercutido em uma crescente prescrição de medicamentos psiquiátricos no país. À luz disso, nota-se que esse primor virtual tem adoecido os internautas.

Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Tecnologia em conjunto com o Ministério da Saúde, criarem mecanismos, como legendas em fotos alteradas e assistência psicológica à população. Isso pode ser feito com um detector nas mídias que indique se a imagem é original ou manipulada, bem como a contratação de psicólogos acessíveis para todos. Feito isso, a sociedade caminhará para longe do personagem de O. Wilde.