A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 10/12/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Para o escritor Carlos Drummond de Andrade, a pedra representa um obstáculo a ser superado. Em sentido análogo, a propagação de um ideal de beleza utópico associado a distorção da imagem corporal contribuem para a desestabilização da saúde mental dos usuários das redes sociais.
Em primeiro lugar, na genética, a variabilidade dos genes representa diversidade populacional, pluralidade, resistência e beleza das espécies. Em contraposição a Biologia, é visto uma crescente tendência na padronização do que é considerado belo. Essa percepção é difundida e agravada pelas redes sociais, porque diversas publicações propagam uma beleza irreal, onde as imperfeições são camufladas. Isso repercute negativamente nos usuários, pois ocasionará na insatisfação com o próprio corpo, personalidade, estilo de vida e, muitas vezes, de sua raça. Desse modo, esse fatores resultarão na busca incessante e frustrada de um ideal inatingível.
Outrossim, a pandemia do Covid-19, vidente no ano de 2020, confinou a maior parte da população mundial em suas residências. Isso fez com que mais tempo fosse despendido com o uso das redes sociais e que distúrbios alimentares, distorções de imagem e doenças de cunho mental aumentassem sua incidência. Ademais, o Instagram possui um recurso chamado Filtro que modifica o rosto através do aumento dos lábios, afinação do nariz e entre outras modificações que objetivam manipular a imagem dos usuários para tornar os traços mais “perfeitos”. Isso promove um crescimento massivo de distorções de imagem e da não-aceitação da sua própria beleza em detrimento do pressuposto que todos todos os indivíduos e raças são belos em sua singularidade.
Sendo assim, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. As grandes Redes Sociais, interessadas na plenitude de seus usuários, devem buscar restringir publicações e recursos que divulguem um padrão irreal e discriminatório. Isso pode ser feito por meio de fortes fiscalizações e denúncias das publicações dos membros que fazem o uso inadequado da plataforma visando aprimorar o raciocínio autônomo e livre de influências nocivas. Em paralelo, o Ministério da Saúde deve buscar priorizar a saúde mental da população. Tal ação é viável através da criação de políticas públicas voltadas para a promoção da saúde mental dos cidadãos usufrutuários das redes sociais e pela contratação de psicólogos e psiquiatras nas Unidades Básicas de Saúde. De modo que, seja fornecida uma adequada assistência psicológica e o pleno exercício das faculdades mentais dos usuários. Parafraseando Drummond, retire-se as pedras.