A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 17/12/2020
A celebridade Rafaella Santos, irmã do jogador Neymar Jr. da seleção brasileira, sofre críticas acerca das suas fotos evidentemente editadas e publicadas nas mídias sociais. Esse fato é um fator recorrente da relação entre a sociedade atual e o meio digital, no qual é repleto de manipulações de imagem e distorção de caráter. Dessa maneira, essa edição baseada nos padrões estéticos hodiernos traz diversos malefícios, como as doenças psicológicas e os distúrbios mentais.
Mormente, a evolução tecnológica e os padrões de beleza potencializam os casos de edições fotográficas. Nesse sentido, a estética na contemporaneidade sofre influência das redes sociais, as quais ampliaram o quantitativo de espectadores e criaram uma dimensão social global a ser incorporada. Com o advento da Revolução Tecno-Científica e Informacional, o mundo se tornou globalizado e conectado pela “internet”. Esse comportamento moldou uma sociedade voltada a um único modelo estético propagado pelas redes sociais, o qual fomenta um corpo idealizado e artificial. Sob essa ótica, existem diversos programas disponíveis que permitem remodelação facial e corporal, o qual cria uma fantasia dos usuários de adequação à estética e inicia-se um ciclo de obsessão nocivo pelo culto à imagem no âmbito digital.
Em paralelo, várias doenças mentais são oriundas dessa necessidade de padronização da beleza. Dessa forma, a partir da fixação por um modelo corporal irreal, o qual é difundido homogeneamente na população, ocorre a formação de mentalidades prejudicadas. Segundo o filósofo Zigmunt Bauman, existe, na realidade hodierna, uma “Sociedade de Consumo”, ou seja, os indivíduos acreditam que “Ter” é mais importante do que “Ser”. Sob esse viés, a busca por possuir um corpo padrão é realizado em detrimento da essência humana e sua personalidade. Esse ato corresponde negativamente à saúde mental dos usuários das redes sociais, os quais desenvolvem transtornos compulsivos por visar adentrar nesse padrão, como a bulimia, anorexia e ansiedade. Com isso, nota-se a dimensão da problemática da edição de fotos e sua relação prejudicial com o bem estar populacional.
Destarte, a manipulação de fotos é um problema de saúde pública no Brasil. Sendo assim, é dever do Ministério da Ciência alertar sobre a utilização de aplicativos e ferramentas de edições, por via do estabelecimento de avisos nas fotos publicadas no meio digital, visando impedir a obsessão à uma imagem irrealista. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde combater essa mentalidade, por meio de campanhas de conscientização no meio “online” com psicólogos e psiquiatras alertando sobre os perigos dessa distorção visual, objetivando mitigar os malefícios à saúde mental. Assim, há a possibilidade de evitar casos como o de Rafaella Santos e melhorar o bem estar dos brasileiros.