A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 15/12/2020

Gilberto Gil, em sua música “Pela internet”, louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas redes aos seus usuários. Esse fenômeno, além de ocorrer, é agravado pela dependência que os indivíduos adquiriram pelos veículos de comunicação. Entretanto, apesar de a internet ser fundamental para o equilíbrio das relações globalizadas, a manipulação de imagens, a qual é uma questão muito recorrente nas redes sociais, tornou-se um desafio atual, uma vez que pode trazer malefícios à saúde mental dos internautas, notadamente os brasileiros. Dessa forma, os reflexos dessa problemática para o corpo social, bem como as consequências de sua naturalização, devem ser discutidos e combatidos.

Em primeira análise, pontua-se que desde os processos denominados Revoluções Industriais e a ascensão ao capitalismo, o Brasil, mesmo que de maneira lenta, modernizou-se, essencialmente no que tange ao âmbito das relações tecnológicas. Todavia, observa-se que ao longo do desenvolvimento das redes de sociabilidade e, da constante adesão das massas a essas plataformas, as imagens dos indivíduos passaram a ser alvo de uma notável padronização e, consequentemente, tornaram-se cada vez mais manipuladas pelos indivíduos, a fim de se obter uma maior aceitação pela comunidade virtual. Essa realidade é observada no Instagram, por exemplo, o qual disponibiliza diversos filtros para os  seus usuários. Paralelamente, nota-se que esse contexto, apesar de parecer isento de problemas, pode ocasionar problemas para a saúde mental dos indivíduos que se tornaram dependentes desse veículo e, por não aceitarem a sua aparência física real, acabam desenvolvendo transtornos psicológicos.

Ademais, de acordo com Freud, médico criador da psicanálise, o ser humano, ao ser inserido em um grupo social específico, tende a assumir as características do ambiente em que se encontra. Seguindo essa lógica de pensamento, as redes sociais, ao criarem mecanismos que influenciam na valorização de uma aparência padrão, acabam corroborando para a expansão de doenças associadas à não aceitação do corpo e à baixa autoestima, como a anorexia e a depressão, entre os seus usuários. Com efeito, embora seja uma problemática atual, por ser tida como algo “normal” por uma grande parcela da sociedade, acaba se tornando uma questão banalizada e permanece atuante na vida dos indivíduos.

Diante do exposto, fica clara a necessidade de mitigar as óbices discutidas. Para tanto, o Estado, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), deve investir em palestras e projetos sociais acerca das consequências psicológicas ocasionadas pela extrema manipulação de imagens nas redes sociais. Isso deve acontecer por meio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais com vítimas do problema e debates entre psicólogos especializados na área das relações de sociabilidade, com o objetivo de quebrar barreiras sobre essa problemática e atingir um público maior.