A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 14/12/2020
No episódio Nosedive da série americana Black Mirror, é revelada uma realidade distópica, na qual as relações humanas se baseiam na avaliação que o usuário detém em um aplicativo. Assim, para ser melhor avaliado, os indivíduos passam a omitir ideias, comportamentos e sentimentos a fim de agradarem a maior quantidade de pessoas. Porém, gradualmente, a personagem principal acaba enlouquecendo dentro do sistema e é apreendida. Fora da ficção, é fato que o cenário supracitado converge com o mundo do século XXI, onde a manipulação de imagem nas redes sociais gera impacto negativo na vida da população, de maneira que incita a insatisfação com a própria aparência e omissão da realidade. Logo, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em primeira análise, segundo Albert Einstein, a tecnologia excedeu a humanidade, de forma que participa na manutenção das relações sociais ao redor do globo. Assim, o cidadão que está em contato com as mídias sociais e, concomitantemente, compenetrado na vida alheia pelas postagens no Instagram ou Facebook, acaba sendo influenciado e, uma vez que o conteúdo a ser consumido é maquiado por efeitos e filtros, ele passa a acreditar que aquilo é real e se insatisfazer com sua própria aparência. À vista disso, depreende-se que o mundo cibernético influencia na saúde mental de seu consumidor.
Nessa perspectiva, crescem os casos de jovens que acreditam na necessidade de mudar algo em seu corpo, sendo eles 63% nas idades entre 13 e 15 anos segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica. Tal cenário se agrava quando levado em consideração a idade dos indivíduos, que mal entraram na puberdade e já se preocupam com tal distúrbio. Dessarte, é inadmissível que essa problemática continue a perdurar.
Depreende-se , portanto, a necessidade de se combater esse obstáculo. Para isso, é imprescindível que as instituições de ensino, por meio de atividades dinâmicas em sala de aula e palestras com especialistas, incitem a discussão de tal pauta, a fim de conscientizar, principalmente, adolescentes sobre os malefícios das mídias. Ademais, é de extrema validez e importância que os meios de comunicação executem programas para dissolução da conjuntura supracitada, a partir de anúncios e campanhas contra a manipulação exacerbada de imagem, de maneira que os usuários tenham consciência da realidade e, desse modo, naveguem de maneira segura nas redes.