A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/12/2020

Segundo o filósofo Erving Goffman, os estereótipos são fruto da sociedade a qual instrui como o ser humano deve agir, naturalizando essas atitudes pelo consenso. De forma análoga à Idade Contemporânea, tais comportamentos permanecem sendo reproduzidos de maneira atemporal a partir de padrões impostos, que acompanham toda a vida do indivíduo. Desse modo, a manipulação da imagem nas redes sociais está atrelada não só a necessidade de extrema exposição, proveniente dos veículos midiáticos, como também o vitalício sentimento de exclusão pessoal. Como resultado, tal conjuntura proporciona problemas de saúde mental que, por sua vez, perpetuam uma doença “socialmente transmissível”.

Os meios de comunicação, em primeira análise, impulsionam uma cultura baseada na ostentação. De acordo com a obra “A Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord, o homem deseja performar sua vida como um teatro. Paralelo à realidade vigente, as pessoas procuram mostrar uma performance de sua existência, principalmente diante das redes sociais. Tal cenário é oriundo majoritariamente da influência midiática, a qual idealiza um padrão inalcançável e insaciável. Com isso, a busca por um corpo perfeito ou um rosto bonito, por filtros e “photoshops”, torna-se justificada por meio da ânsia por inclusão social e da premência de mostrar um “êxito” em conquistar esse determinado aspecto.

Esse quadro, por consequência, acarreta a manutenção de relações tóxicas. A coerção social, conforme o sociólogo Durkheim, é a pressão que a comunidade exerce sobre o indivíduo. Sob essa ótica, o ser humano, a fim de não ser excluído pelo coletivo, tende a obedecer exigências pré estipuladas. Com isso, forma-se um ciclo acrônico, a partir do momento que alguém vê nas mídias uma característica física socialmente construída como bonita, a qual almeja, mas não consegue alcançar. Dessa forma, ele usufrui da tecnologia e manipula sua imagem para fins exibicionistas e pseudo inclusivos. Consequentemente, outros se inspiram em tal foto e reproduzem o mesmo. Contudo, isso não gera o real alcance desse atributo, o que muita das vezes pode instigar problemas emocionais como baixa autoestima tanto a quem posta o retrato, quanto a quem o vê.

Infere-se, portanto, a urgência de quebrar o ciclo das redes sociais. Cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio do Poder Legislativo, extinguir as edições de imagem por meio de um projeto de lei que vete os aplicativos para tais finalidades e, no caso do “Instagram”, por exemplo, retirar o uso dos filtros. Essa ação visa a erradicar não apenas a manipulação de fotos nos meios de comunicação, mas também as relações tóxicas na sociedade. Assim, o ser humano poderá atingir sua beleza plena e acabar com os estereótipos, os quais assolam o mundo contemporâneo.