A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 01/01/2021
As redes sociais passaram a ocupar um espaço de importância nas relações interpessoais, e marcar presença online se tornou moeda de troca para validação social. Nesse sentido, os filtros visuais usados em fotos e vídeos se popularizam, porém, o que parece ser brincadeira esconde a profunda adulteração da realidade. Ao somar isso com o algoritmo que favorece imagens ditas como bonitas, o usuário é levado a acreditar que fazer o uso dessa ferramenta é o que lhe trará mais prestígio online. Assim, o indivíduo cria vergonha sobre sua aparência verdadeira, e recorre aos filtros para mascarar seus “defeitos”.
Em primeiro lugar, a sociedade nunca foi tão imagética como atualmente, e também nunca foi tão fácil tirar fotos. Por essa lógica, percebe-se que a imagem agora faz parte da comunicação. No entanto, essa não deve ser a prioridade nas relações, pois, aquele recorte instantâneo é uma fração do que aconteceu de verdade, e representa uma ilusão da vida real.
Analogamente, o uso de filtros que mudam a aparência para socializar digitalmente aprofunda a fantasia criada em volta do que é concreto. Ainda, esse recurso pode ser mais prejudicial às crianças, visto que estão em fase de construção de caráter e personalidade. Dessa forma, deixá-las expostas àquilo que falsifica o que é real pode nutrir uma decepção com a realidade.
Em suma, é necessário abrir o debate sobre os prejuízos à saúde mental pelo uso excessivo de filtros visuais nas redes sociais. Para isso, o poder público pode exigir das empresas proprietárias que proibam o acesso aos filtros por usuários menores de idade, de forma a impedir que crianças cultivem distúrbios em relação à própria imagem. Além disso, os próprios usuários podem pressionar as plataformas para estabelecerem diretrizes fortes e efetivas no processo de permissão dessa ferramenta, com o intuito de barrar filtros nocivos de distorção. Dessa forma, criaria-se uma relação mais saudável com a auto-imagem e as redes sociais.