A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 22/12/2020

Barão de Tararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante o período da ditadura no país, estava certo ao dizer: “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, a manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental dos indivíduos se apresenta como um dos nós a serem desatados. Contudo, fatores como a falta de diálogo acerca desse tema e a busca de muitas pessoas em se encaixar em um padrão beleza, colaboram para que o impasse persista no país.

Diante desse cenário, urge pautar que a escassez de consciência das pessoas referente às redes sociais reflete em malefícios ao seu bem-estar emocional. Nesse viés, a sociedade contemporânea é marcada pelo advento do mundo virtual, que facilita as interações entre as pessoas e disponibiliza um padrão de informações baseadas no seu perfil, gerando uma bolha social. Tal circunstância é analisada pelo filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, segundo ele, as redes sociais são uma armadilha e nesse ambiente é muito fácil de evitar controvérsias, posto que as pessoas não conseguem diferenciar  a ficção da realidade. Dessa maneira, é incoerente que não haja diálogo sobre esse hábito, que por sua vez, gera cidadãos preocupados em passar uma boa imagem e despreocupados consigo próprio.

Ademais, é válido salientar que a manipulação de imagens permite que as pessoas se encaixem no padrão de beleza estipulado pela indústria cultural. A esse respeito, a edição da imagem através de filtros e efeitos é impulsionada ainda mais pelas redes sociais, isso porque é nesse âmbito que as pessoas querem divulgar sua melhor versão, uma espécie de marketing pessoal. Essa lógica pode ser confirmada ao analisarmos a teoria do cineasta Guy Debord, ele afirma que a sociedade moderna é sinônimo de uma sociedade do espetáculo, pois as pessoas tendem a reproduzir o que é bem visto, mesmo que as consequências sejam maléficas. Desse modo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar no Brasil.

Portanto, para que as gerações futuras zelem pela sua saúde mental, medidas devem ser tomadas. Para isso, as empresas do segmento de comunicação (Facebook, Youtube, Instagram etc) devem, por meio de publicações que serão divulgadas nas próprias redes, disponibilizar dados referente à saúde mental dos seus usuários e relatar os danos gerados pelo uso imprudente das redes, a fim de conscientizar essa população. Outrossim, essas empresas devem filtrar os dados de crianças e adolescentes, por intermédio de relatórios que serão enviados semanalmente aos seus responsáveis, informando-os sobre o consumo de filtros, carga horária de utilização da rede, interações, entre outros dados que estimulará o diálogo familiar. Com essas medidas, espera-se que esse nó seja desatado e que o bem-estar emocional das pessoas seja priorizado.