A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 22/12/2020
Distorção do ideal de beleza grego
Na Grécia Antiga, o ideal de beleza cultuado era caracterizado pelo físico atlético e representava vigor e saúde. No âmbito atual, em vista à manipulação de imagens existente, o corpo padronizado não encontra-se associado, na prática, a tais aspectos positivos. A origem desse entrave encontra-se na distorção da realidade com a caracterização de um único padrão a se buscar e, como consequência, propicia o surgimento de problemas tanto físicos, como psicológicos. Desse modo, faz-se necessária uma alteração de comportamento social para reverter esse quadro.
Em primeiro lugar, é preciso compreender a padronização do belo como causa da alteração e condicionamento de imagens. Para isso, é pertinente mencionar a filósofa alemã Hannah Arendt, a qual propõe o mais grave mal ser aquele enxergado como algo rotineiro, cotidiano. Nesse sentido, a utilização das redes sociais para a promoção de um ideal único de beleza constitui um dos piores males, uma vez que é comum. Na prática, isso pode ser evidenciado com a frequente exibição de imagens nas redes sociais de pessoas com um corpo “fitness”, caracterizado por pouco tecido adiposo e grande volume muscular, além disso, observa-se também a valorização de fotos que escondem estrias tanto por meio de edições, como por escolha de um melhor ângulo de enquadramento.
Consequentemente, como esses moldes corporais não condizem com a realidade da maioria das pessoas, surgem problemas de não aceitação da própria aparência. Quadro esse que pode desencadear transtornos de depressão, ansiedade, bulimia e anorexia. Esse aspecto pode ser evidenciado com a obsessão por controle da alimentação e pela prática de musculação, seguidos da busca pelo uso de suplementos sem acompanhamento de nutricionista e até mesmo de anabolizantes, situação essa em que as saúdes, de fato, física e mental são colocadas em segundo plano.
Portanto, medidas interventivas fazem-se essenciais para que ocorra uma mudança de postura social. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação estimular o senso crítico dos alunos acerca do atual contexto de manipulação de imagens, mediante a promoção de aulas, palestras e debates em escolas e universidades, com o intuito de gerar consciência acerca da distorção de realidade na internet. Já a família deve atentar-se para o comportamento dos filhos, observando indícios de transtornos psicológicos ocasionados por problemas de não aceitação da própria aparência para, em caso suspeito, promover o diálogo, orientação e a busca por ajuda profissional. Assim, o Brasil ver-se-á livre de um ideal de beleza que, na realidade, se distância da saúde e do vigor que eram presentes no antigo mundo grego.