A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 23/12/2020
Na mitologia grega, Narciso morre afogado ao tentar abraçar sua própria figura refletida no espelho d’água. Nesse sentido, a fixação acerca da sua própria imagem é cada vez mais comum, o que gera a naturalização das manipulações imagéticas com o intuito de gerar um boa impressão dos outros, sobretudo na internet. No entanto, tais alterações, realizadas de formas exageradas nas redes sociais, são causas e, ao mesmo tempo, consequências de distúrbios de ordem psicológica e de problemas de autoestima, além de estarem associadas à importância dessas imagens como definidoras de status social.
Em primeiro plano, é essencial notar que a presença demasiada de filtros e aplicativos que alteram, automaticamente, o rosto e o corpo de quem está sob as câmeras. Com isso, os usuários se tornam padronizados sob as lentes do mundo virtual, gerando conflitos internos nas pessoas, as quais querem se encaixar, na realidade, ao que é modificado por essas ferramentas tecnológicas. Tal tendência é chamada de “dismorfia do Snapchat”, na qual o indivíduo afetado, em busca de alcançar o padrão, recorre a cirurgias plásticas e outros procedimentos estéticos, podendo colocar em risco sua própria saúde. Sendo assim, a integridade física e mental de muitos internautas é colocada em risco. Concomitantemente, a pressão para se adequar ao modelo visual mais difundido não é, unicamente, interna, mas coletiva. Sob essa óptica, os sujeitos sofrem e reproduzem essa necessidade entre si, o que ocasiona a supressão do que é diferente. Acerca disso, o sociólogo e filósofo Èmile Durkheim discutia sobre a coerção social, em que os seres tendem a replicar ações normatizadas e rejeitar as que não são, chamadas de anomalias. Logo, todos são basicamente obrigados a seguir os padrões que as redes instituem, o que fundamenta as modificações de fotografias, caso contrário, podem sofrer ataques de ódio, os quais crescem numericamente a cada dia na internet.
Portanto, é fundamental que se mude a mentalidade acerca das deformações praticadas em corpos nas fotos. Para tanto, as redes sociais devem realizar a difusão de mensagens estimuladoras de auto estima -que, da mesma forma que os filtros de câmera, se tornem virais,- por intermédio do impulsionamento de tags como o movimento “body positive” e outras que incentivem a aceitação das características corporais como elas realmente são. Desse modo, haverá, gradativamente, o enaltecimento de traços reais e das diferenças atrás das telas dos aparelhos eletrônicos.