A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/12/2020

A Revolução Industrial foi um evento drástico que alterou toda a produção mundial do século XVIII. Com berço na Inglaterra, foi inventado o motor a vapor e deu-se início a indústria fabril atual. Impulsionado por esses fatos, a Revolução Informacional do século XX adicionou os computadores à sociedade, bem como a internet e, por consequência, se iniciou a era das redes sociais, que aproximou indivíduos de todas as partes do mundo. Porém, infelizmente, essa ferramenta também trouxe inúmeros malefícios à saúde mental de seus usuários, em resultado ao culto à imagem excessivo presente na população, bem como a ausência de políticas públicas que anteparem os cidadãos.

Em primeiro lugar, é necessário salientar a obra “A Sociedade do Espetáculo” do filósofo francês Guy Debord, que explica como a sociedade do século XXI é mantida em um frenesi contínuo de estar e se manter em um espetáculo, sendo as relações sociais mediadas por imagens. Em consonância, os filósofos alemães Adorno e Horkheimer em “A Dialética do Esclarecimento”, expõem como a indústria foi alterada de forma a homogeneizar a cultura, com objetivo de alienação e controle da população, tendo como exemplo o conteúdo contido principalmente no mundo online. Assim, a imagem ganha um valor imenso na esfera social, afetando a saúde mental da população que, manipulada por tais ferramentas, têm a necessidade de se enquadrar num modelo de beleza pré-concebido pela sociedade.

Ademais, de acordo com o filósofo contratualista Jean-Jacques Rosseau, na política, tal como na moral, é um grande mal não se fazer o bem. De fato, sem a presença de leis ou projetos provindos dos políticos brasileiros direcionados para a segurança da população diante dos prejuízos causados pela manipulação da própria imagem, os cidadãos permanecem totalmente expostos. Ainda, segundo a Constituição Federal de 1988, documento mor da República do Brasil, é garantido o direito de saúde e bem-estar dos indivíduos, o que, na realidade, não acontece de fato, questão que deve ser analisada e debatida.

Portanto, são necessárias medidas de intervenção para a questão retratada. Urge que o Ministério da Comunicação, por meio de panfletos e cartazes distribuídos nas ruas e publicações na internet, conscientize os brasileiros em relação aos perigos contidos na web relacionado à alteração da auto-imagem. O conteúdo deve alertar os usuários sobre estereótipos de beleza e seus efeitos adversos na saúde.  Ainda, é necessário que o Ministério da Saúde crie um projeto de leis a ser entregue na Câmara dos Deputados que viabilize uma maior fiscalização e proibição quanto à instrumentos que possam prejudicar a saúde mental dos brasileiros em ambiente cibernético. Assim, é possível vencer os desafios contidos nas redes sociais.