A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 28/12/2020

Palco para novos Narcisos

A Terceira Revolução Industrial, contracenada no século XX, deixou como herança aos filhos da pós-modernidade mais do que uma evolução tecnológica. Para além disso, ela transformou o modo das pessoas enxergarem a si mesmas no âmbito social. Uma vez que, com o advento dos aparatos tecnológicos e da internet, um novo mundo surgiu, e junto a ele, padrões e imposições sociais demasiadamente envoltos em preconceitos.

Diante desse cenário, o sociólogo Bauman afirmou em seu livro “Modernidade Líquida”, que o presente século é marcado por uma fragilidade nas relações sociais e interpessoais, as quais são oriundas da globalização, que interliga não só os países, mas também as ideias. Um exemplo disso é o chamado “estilo de vida americano”, um modelo comportamental surgido nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial e que alastrou pelo mundo uma intensa padronização social. Todas essas transformações, segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, afetam a maneira das pessoas se enxergarem no mundo físico e de se exprimirem no mundo virtual, sobretudo nas redes sociais.

Tal assertiva é reforçada por meio de um artigo publicado, em 2019, pelo psiquiatra Augusto Cury, em parceria com o chefe de psiquiatria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o qual revelou que nos últimos 25 anos, após o surgimento das redes sociais, o que antes era restrito ao físico adentrou ao universo virtual de maneira ainda mais intensa: padrões estéticos e ideologias suprarraciais viraram imagem manipulada e propagada por filtros faciais de redes como o Instagram. Nesse sentido, a dependência do celular, atrelada a da internet e da aprovação social só cresceu e, junto a isso, os malefícios à saúde mental do indivíduo, como a ansiedade e o sentimento de insatisfação constante,  especialmente intensificaram-se entre os jovens.

Destarte, todo Narciso, disse Caetano Veloso, “acha feio aquilo que não é espelho”. À luz dessa análise, discutir acerca dos perigos da manipulação de imagem torna-se questão de saúde pública na nação verde e amarela. Para isso faz-se necessária a criação de leis, por parte do Legislativo, que visem banir de qualquer rede social filtros preconceituosos ou nocivos à autoestima e saúde mental. Atrelado a isso, é dever da mídia divulgar propagandas e forúns discurssivos acerca das sequelas emocionais que essa manipulação causa. Só assim, por meio da Lei e dos veículos midiáticos, as redes sociais serão plataformas seguras, em especial para os usuários menores de 18 anos, e não um palco para novos Narcisos surgirem.