A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/01/2021

O romance “A Metamorfose”, de Franz Kafka, narra a história de um indivíduo que, certo dia, vê-se no corpo de um inseto asqueroso. Dentre as diversas metáforas contidas nesse enredo, a dismorfia corporal do protagonista é digna de atenção, haja vista que esse problema é recorrente no atual cenário social. Sob tal prisma, destaca-se a crescente utilização de filtros que manipulam imagens nas redes sociais, os quais geram distorções corporais irrealistas. Diante disso, verifica-se que a busca por uma aparência convergente àquela do contexto digital, como tentativa de se encaixar em um determinado padrão, provoca malefícios à saúde mental desses indivíduos.

Em primeiro plano, é possível apontar que o esforço em ajustar-se a um arquétipo visual, aceito socialmente, decorre da alienação moral provocada pelo cenário hodierno. Nesse contexto, os estudiosos da Escola de Frankfurt afirmam que a atuante Indústria Cultural impõe necessidades fúteis, que atendem ao capitalismo e buscam a manutenção de uma ideologia dominante. Diante dessa perspectiva, entende-se que o uso de aplicativos de manipulação imaginética atuam de modo a promover a aceitação social por meio da massificação da aparência. Assim, verifica-se que os usuários dessas tecnologias tendem a utilizá-las para atender à coerção simbólica promovida pelo ambiente digital.

Por conseguinte, é importante notar que a busca pela identidade visual idealizada nas redes sociais pode trazer prejuízos a saúde mental do indivíduo. Nesse sentido, é válido apontar que alguns usuários desses softwares recorrerem à procedimentos estéticos que tentam mimetizar a aparência virtual. Dessa forma, ao não atingir o resultado esperado, haja vista que grande parte dos filtros criam visuais impossíveis, esses internautas tendem a apresentar quadros depressivos e transtornos de dismorfia corporal, conforme afirma a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Logo, fica evidente que a modificação da imagem no contexto cibernético é negativa para a saúde mental do sujeito.

Em síntese, percebe-se que o consumo massivo de apps que adulteram fotos em redes sociais pode ser atribuída à busca por aceitação social, fato que pode provocar problemas mentais. Assim, com o objetivo de minimizar os efeitos da manipulação imaginética nas mídias digitais, é dever das empresas criadoras de softwares editores de imagens alertar seus usuários acerca das possíveis consequências da sua utilização. Nesse sentido, quando os internautas forem usar os filtros pela primeira vez, o aplicativo deve adverti-los, por meio do “Termos de Uso”, acerca dos possíveis efeitos negativos para a saúde mental. Dessa forma, os indivíduos estarão cientes dos prejuízos que podem advir do uso dessa tecnologia e, logo, estarão mais aptos a utilizá-la de forma consciente.