A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/01/2021

Na obra “A Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord defende que no meio social há uma espetacularização da vida. De acordo com o escritor francês, a individualidade é transformada em imagem a ser consumida – enquanto os cidadãos exercem o papel de plateia. Infelizmente, na realidade hodierna, fica claro que a narrativa ajuda a compreender um grande problema do século XXI: a manipulação de imagens na mídia virtual e seus danos à saúde mental.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer o fator comportamental que acarreta a edição do conteúdo visual. Segundo o documentário “O Dilema das Redes”, a premissa básica das redes sociais é pautada na necessidade básica do Homo sapiens de interação. Entretanto, os meios utilizados para alcançar tal objetivo baseiam-se nos números de curtida e, consequentemente, são atribuídos – a fotos e a vídeos modificados e mais chamativos – uma maior quantidade dos famigerados “likes”.

Dessa forma, nota-se que o usuário da rede é coibido a publicar uma versão falsa de si. Ademais, cabe ressaltar que os malefícios da problemática transcendem o ambiente virtual. Percebe-se que a busca pela validação da “plateia” tem o potencial de gerar transtornos mentais no indivíduo, como a ansiedade causada pelo medo da postagem na internet não ser ovacionada. Assim, a ideia filosófica de Epicuro se permeia no contexto vigente, a qual afirma que certos prazeres trazem mais dor do que felicidade à vida. Em suma, fica evidente o ímpeto por uma perfeição inalcançável no mundo real.

Portanto, é dever do Estado, em parcerias com empresas de programas computacionais, instruir a população sobre maneiras mais saudáveis de usar as redes sociais. Essa ação deve ocorrer por meio de investimento governamental em campanhas educacionais, as quais irão visar estimular o usuário a apresentar uma visão realista da imagem, sem perder a essência humana e a comicidade da mídia virtual. Feito isso, a contemporaneidade distanciar-se-á da teoria de Guy Debord.