A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 08/01/2021
O mito grego de Narciso, conhecido como “O belo”, termina de forma trágica pois, ao tornar-se obcecado em admirar sua aparência, deixa de comer e beber e consequentemente, acaba falecendo. Embora seja antigo, o mito se assemelha a realidade atual de muitos brasileiros viciados em autoretratos presentes em redes sociais que, permitem edita-los conforme o gosto do usuário. Entretanto, é preocupante quando a manipulação de imagens por filtros e, os padrões estéticos impostos pela sociedade também presentes nessa ferramenta, causam malefícios à saúde mental dos internautas.
Em 2020, o programa televisivo brasileiro “Fantástico”, produziu uma reportagem sobre os impactos das selfies na sociedade e, os casos de usuários que realizaram cirurgias plásticas por conta da frustração ocasionada pela falta dos efeitos em suas fotos. Porém, não é difícil encontrar procedimentos falhos que danificaram a face dos pacientes, o que resulta na queda brusca da aceitação pessoal dos individuos que, sem o tratamento necessário podem desenvolver doenças como a depressão, ansiedade, dentre outras. Logo, urge a atenção e o autocuidado da população quanto ao uso excessivo dessas ferramentas, para que assim, possa ocorrer experiências saudáveis nas plataformas digitais.
Outrossim, são os padrões de beleza observados com frequência nos filtros em que, determinam cor, cabelo, e formato de rosto ideais a serem seguidos e alcançados, principalmente pelo público feminino que, desde antes da era digital como, por exempo, na era medieval, é alvo de exigências estéticas. Dessa forma, é retratado no trecho “ninguém irá te amar se você não for atraente”, da canção “Mrs. Potato Head” da cantora Melanie Martinez, a influência tóxica na vida e na autoestima das vitímas desse problema, impedido-as de se amarem da forma única que são e de se sentirem aceitas por seus iguais, sendo maléfico ao bem-estar e aos relacionamentos interpessoais.
Portanto, para amenizar essa problemática, é preciso que a mídia brasileira realize campanhas em que seja promovida a representatividade das manifestações de diferentes tipos de beleza com imagens de pessoas reais, modelos não estereotipados, por meio da sua divulgação em propagandas televisivas e em sites como o Youtube, e também por curta-metragens que demonstrem a aceitação de pessoas da forma que realmente são, de cara limpa, gordas ou magras e sem filtros ensinando os cidadãos sobre o amor próprio e a autoestima. Desse modo, mesmo que haja manipulação de imagens na web, não será nociva pois se autoconhecendo e amando, a saúde mental indivídual será preservada.