A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 11/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a saúde mental está sendo prejudicada pela manipulação da imagem, fato esse que apresenta barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do negligenciamento de políticas pública, quanto do olhar preconceituoso da sociedade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Sob esse viés, vale destacar a distorção da imagem como um malefício à saúde dos indivíduos, que deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo Thomas Hobbes, pensador e teórico político, autor da obra “Leviatã”, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido a baixa atuação das autoridades que, por sua vez, não estão realizando programas que incentivam a comunidade a aceitar-se como é, e não criar um padrão de beleza que acabe prejudicando a sua saúde. Prova disso foi uma decisão tomada pela Spark Ar, que decidiu retirar alguns filtros do Instagram que simulam cirurgias plásticas, pois estariam causando baixa autoestima nos cidadãos por não se sentirem satisfeitos com sua aparência externa. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de empatia com o próximo, como promotor do problema. No contexto da Revolução Gloriosa de 1689, Isaac Newton, físico e criador das três leis da dinâmica, entre elas, a terceira lei, a qual define que cada ação gera uma reação. Em comparação a essa teoria, é nítido que a sociedade ainda impõe o padrão preconceituoso ao mostrar que, na maioria das vezes, para ser “belo” é necessário ser branco, ter cabelo liso e nenhuma espinha no rosto não sabendo que isso só gera a regressão da sociedade, em seu valor identitário. Bom exemplo são filtros retirados do Instagram que ao invés de funcionar como brincadeiras se tornou um padrão estético. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, contribuindo para perpetuação dessa conjuntura.
Assim, medidas holísticas são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Ministério da Cidadania – órgão responsável pela formulação e coordenação de políticas, programas e ações voltadas para a garantia de direitos à sociedade – propague campanhas de inclusão social, mediante palestras em instituições escolares com psicólogos que trabalhem o estereótipo discriminatório, visando mostrar à sociedade o valor da aceitação sem a precisão de seguir o padrão de um aplicativo ou pessoas. Além disso, compete ao Ministério da Educação promover encontros psiquiátricos, por meio da construção de centros de terapia em postos de saúde através de investimentos governamentais em parcerias público-privadas, com o fito de acabar com esse sentimento preconceituoso do branqueamento de raças, que nunca poderá valer como um princípio a ser seguido, podendo, assim, alcançar uma sociedade semelhante a da “Utopia” de Thomas More.