A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 12/01/2021

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a manipulação de imagens nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no Brasil.

De antemão, vê-se que o Poder Público tem se definido como negligente ao não descontruir como visões limitadas sobre o conceito de beleza. Isso porque, uma adolescente, por exemplo, pode ter interesse de postar uma foto sem edição nas mídias sociais. Contudo, entendre que pode receber comentários ofensivos por não estar dentro do padrão da sociedade para se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a manipulação de imagens nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental. Como prova disso, percebe-se uma inércia de parte da população ao não lutar por assistência estatal, visto que falta oferecer auxílio psicológico às pessoas que tem desenvolvido transtornos de baixa autoestima, comprometendo, dessa forma, o direito à saúde. Análise os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, desse modo, o senso crítico deles.

Constata-se, finalmente, que a modificação de imagens nas mídias sociais e como suas consequências à saúde mental deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando palestras públicas ministradas por profissionais da educação em praças coletivas, com o objetivo de descontruir os pontos de vista restritivos sobre os padrões de beleza. Ademais, é fundamental sensibilizar a sociedade, via campanhas midiáticas, promovidas por ONG’s, a fim de que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério da Saúde com investimento financeiro para a contratação de psicólogos, objetivando, com isso, tratar os transtornos desenvolvidos pelas pessoas e garantir o direito à saúde destes.