A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 14/04/2021
Como apontado por H.P. Lovecraft, escritor de horror cósmico americano, a emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo. O medo pode vir de várias formas, com destaque para o de não ser aceito ou incluído que é o que mais afeta a vida em sociedade na contemporaneidade. Logo, esse medo desencadeia uma série de danos à saúde mental, principalmente na população mais jovem, pois, a fim de uma inclusão em um padrão de beleza ou status, a manipulação da própria imagem torna-se uma poderosa ferramenta. Nesse sentido, é de suma importância analisar esse quadro a fim de revertê-lo, tendo em vista que seus resultados podem chegar a atos autodestrutivos por parte dos indivíduos. Ademais, segundo uma pesquisa feita pelo Jornal G1, 40% dos casos de depressão entre os jovens estão, direta ou indiretamente, relacionados a aparência. Da mesma maneira, redes sociais que valorizam apenas a imagem, como o Instagram e Facebook, levam alguns usuários a um estado de derrotismo, pois sempre que essas mídias são acessadas, a sensação de que a beleza possuída não está em um nível aceitável é cogitada pelos usuários. Como consequência, um ciclo de falsas caracterizações, que influenciarão ambas as partes, é criado com um propósito baseado na busca de um padrão perfeito para ser mostrado nos “feeds” de outras pessoas.
Em segunda instância, o sistema econômico que preza o capital aliada à mídia, tem como consequência a alteração da imagem no meio cibernético para prestígio social. Tal pensamento ocorre pelo fetichismo da estética que a transforma em mercadoria, que utilizará a internet como meio de propagação. Ilustra-se esse paradigma na frase do sociólogo Émile Durkheim, “O homem mais do que um formador da sociedade, é um produto dela”, pode ser aproximada a essa realidade, pois a sociedade é moldada pelas concepções individualistas, e a influência midiática é o reflexo do pensamento coletivo gerado por essas concepções.
Depreende-se, portanto, que a saúde mental e o medo atrelado a aceitação social andam de mãos dadas. Para tanto, a mídia, como o Facebook e o Instagram, por meio de propagandas e banimento de filtros que induzem a cirurgia plástica, deve conscientizar a sua comunidade, com a finalidade de evidenciar a não existência de uma imagem perfeita. Junto a isso, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela administração e manutenção do bem-estar brasileiro, deve aumentar o número de profissionais especializados em saúde mental, por intermédio de investimentos no setor, com intuito de controlar o número de pessoas em um estado de desânimo mental. Dessa maneira, será possível vencer um dos medos universais que Lovecraft apontava.