A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 15/04/2021

No episódio “Nosedive” da série televisiva Black Mirror, somos apresentados a uma sociedade onde as pessoas são avaliadas virtualmente, tendo como critério de avaliação: números de curtidas. Fora da ficção, nota-se que a necessidade de aceitação social e o sentimento de exclusão daquilo que é “padrão”, tornam-se grandes impulsionadores da obsessão pela beleza no mundo virtual, levando os indivíduos a artifícios como a manipulação de imagem nas redes sociais, gerando assim, malefícios que atacam o físico e a saúde mental de seus usuários.

Em primeira análise, é pertinente ressaltar o papel das mídias sociais nas relações humanas e o poder que ela tem sobre nossas vidas. Segundo o filósofo Aristóteles, o homem é um ser que necessita de coisas e principalmente do outro, é um ser carente, imperfeito e naturalmente um animal político. Sob tal perspectiva, a construção de relações sociais torna-se imprescindível para o ser humano, tanto no mundo real quanto no virtual. No entanto, o desejo de ser aceito, e ser ao mesmo tempo parte de um determinado grupo social, acaba se tornando uma busca perigosa por meios que distorçam a realidade e permitam o acesso a tais grupos. Por conseguinte, muitos jovens se tornam reféns de filtros manipuladores de imagem, viciados em ser aquilo que não são, e mais propensos a desenvolver problemas como a depressão.

Ademais, é fundamental compreender a superficialidade presente na esfera virtual e o seu potencial de manipulação. Comforme disse o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman: “As redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.” Uma vez que, propagam ideias de beleza completamente irreais e inalcançáveis, gerando uma não identificação com aquilo que nos é exposto e ódio por nossa própria imagem. Além disso, a pressão proveniente dessa busca por perfeição, afeta negativamente a visão que temos de nós mesmos, podendo causar diversos transtornos psicológicos, como o disfórmico corporal. Dessa maneira, o uso irresponsável da tecnologia, aliado ao ideal deturpado da realidade, fazem diversas vítimas todos os dias.

Tendo em vista o que foi discutido, é necessário, portanto, que o Ministério da Tecnologia juntamente com o Ministério da Educação, desenvolva uma campanha, por meio de um aplicativo gratuito, destinado aos usuários das principais redes sociais, com o apoio de especialistas em tecnologia e psicólogos, através de conteúdos específicos sobre o tema produzidos pelos mesmos, a fim de que esse ideal utópico de beleza seja revogado e substituído por amor próprio. Dessa forma, o sistema de avaliação apresentado em “Nosedive” ficará apenas nas telinhas