A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 15/04/2021

É evidente no cenário atual em que vivemos, a necessidade das pessoas em buscar alcançar o mais próximo da perfeição física. Com a criação de filtros embelezadores nas redes sociais, podemos afinar o nariz, aumentar os lábios, levantar os olhos, esconder espinhas e mudar a cor de nossos olhos. Portanto, a utilização dessa ferramenta tem alterado a forma como as pessoas se veem, fazendo com que fiquem presas à padrões inatingíveis e corpos irreais, o que é danoso para a autoestima e saúde mental no geral.

Influenciados pela mídia, os usuários possuem receio ao publicar fotos e vídeos em seus próprios perfis ou o fazem apenas na presença de efeitos e filtros que distorcem sua imagem. O desejo excessivo pelo sentimento de pertencimento à um grupo e aprovação de outros faz com que as pessoas mudem o seu jeito de ser na internet, mostrando em suas postagens o seu melhor lado, no qual possuem uma vida saudável e luxuosa, são felizes e de aparência impecável, o que não condiz com a realidade e que pode levar os seguidores a desenvolverem transtornos mentais e alimentares, pois estão frequentemente se comparando com o “estilo de vida” dos influenciadores e por não corresponderem às expectativas mostradas, não se sentem felizes consigo mesmos.

Nesse ínterim, é notável o aumento na realização de cirurgias plásticas. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), nos últimos dez anos houve um aumento de 141% nos procedimentos em jovens de 13 a 18 anos. Dentre as cirurgias mais procuradas atualmente estão a rinoplastia (correção estética ou funcional do nariz), implantação de silicone nos seios e harmonização facial (técnica de preenchimento facial que promove um alinhamento e correção de ângulos da face). Segundo relatos de cirurgiões, ao serem procurados, os clientes mostram fotos de famosos ou deles mesmos com filtro como referência, dizendo que querem “se sair melhor nas selfies”.

Sob este prisma, é indubitável o fato de que a manipulação da própria imagem nas redes sociais é prejudicial à saúde mental. O aprisionamento à uma imagem computadorizada e um estilo de vida inalcançável tem gerado o aumento de doenças mentais como a depressão e a ansiedade nos adolescentes dessa geração. Para solucionar essa mazela, as redes sociais deveriam proibir filtros que modifiquem exageradamente a face, bem como, os criadores de conteúdo digital devem ter atenção para que não influenciem seus seguidores negativamente. O tempo de uso da internet pode ser monitorado pelos pais para evitar exageros e estes devem sempre buscar acompanhamento de psicólogos para manutenção da saúde mental de seus filhos, evitando com que sofram com a pressão causada pelos padrões estéticos.