A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 14/04/2021

Em um dos episódios da série de ficção científica Black Mirror, os personagens buscam incessantemente atingir notas altas que são adquiridas através de avaliações de outros sobre suas vidas e aparências, gerando caos. Diante disso, percebe-se que a manipulação de imagem nas redes sociais, que torna-se um hábito cada vez mais comum nos dias de hoje, influencia negativamente na saúde mental de seus usuários. Tudo isso, devido à padronização estética estabelecida na sociedade atual, a qual aliena e motiva ações de grande parte da população.

A princípio, de acordo com Zigmunt Bauman, a nova sociedade líquida, pautada em valores estéticos perfeitos, reprime os indivíduos que não se encaixam no padrão. Nesse sentido, é visto que as pessoas que utilizam as redes sociais se encontram em uma realidade utópica, na qual todas as pessoas têm um corpo perfeito e um ideal de vida supervalorizado. Com isso, muitas vezes, esses indivíduos buscam procedimentos estéticos, visando atingir padrões irreais e inalcançáveis. Como resultado, essa situação afeta a saúde mental e a autoestima da maioria da população, que sofre as consequências da pressão social e das ações tomadas com o intuito de satisfazer critérios que ditam a “beleza”.

Ademais, a procura pelo corpo idealizado, formado pela modificação estética através de edições das fotos e vídeos, contribui para o aumento de problemas psicológicos e compulsões alimentares. Diante desse cenário, de acordo com a psicóloga Adeliana Falcão, transtornos depressivos, ansiosos e crise de baixa autoestima são comumente associados aos distúrbios alimentares. Isso se deve ao fato de que, ainda de acordo com a profissional, essas doenças aumentam as sensações de desmotivação e culpa. Em análise, pode-se concluir que a manipulação de imagem nas redes sociais tem impactos diretos tanto na saúde física, quanto mental. Dessa forma, tornam-se necessárias intervenções com o propósito de evitar tais mazelas.

Portanto, cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, ministrar palestras mediadas por profissionais da área de psicologia e nutrição em escolas e faculdades. Além disso, compete também ao Governo, em parceria com influenciadores digitais, a expansão do debate sobre problemas psicológicos resultantes da pressão estética na sociedade, por meio da criação de projetos em plataformas de mídia que incentivem a autoaceitação e a diminuição da manipulação de imagem. Essas ações têm como intuito evitar e alertar a população sobre problemas futuros relacionados aos efeitos do uso excessivo das redes sociais, já que influenciam as pessoas a seguirem um padrão estético inatingível.