A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 26/04/2021
No primeiro filme “Shrek” de 2001, é apresentado ao público, além do protagonista de mesmo nome e do carismático Burro, a princesa Fiona que foi amaldiçoada a se tornar uma “ogra” todos os dias ao por do sol e devido a isso foi trancafiada em uma torre pela sua própria família e acabou sofrendo muito por não aceitar sua aparência noturna e se sentia obrigada a encontrar o seu “amor verdadeiro” para que assim a maldição fosse quebrada e ela pudesse ser aceita por sua família e seu reino mas ao decorrer da obra ela se apaixona por Shrek e nota que é mais feliz vivendo como uma “ogra” do que como uma pincesa humana, aceitando no fim da obra a transformação permanente em ogro e a indenticando como sua forma verdadeira.
Nessa perspectiva, assim como Fiona, muitas pessoas, principalmente mulheres, se sentem obrigadas a perseguir os padrões de beleza impostos pela sociedade e tomam atitudes extremas para tal, desde dietas extravagantes ao uso indevido de medicações, porém a forma mais rápida e fácil de “cumprir” com essas normas de beleza é usar, ou melhor, abusar dos filtros faciais presentes em algumas das mais usadas redes sociais, criando um vício em manipular a própria imagem. Esse uso desenfreado dos filtros demonstra a preocupação das pessoas, principalmente os mais jovens, em alcançar o suposto padrão de beleza perfeito das redes sociais e na vontade de renegar sua própria aparência, perdendo assim parte de sua essência como indivíduo e tendo sua percepção de mundo abalada por só conseguir identificar sua própria imagem no mundo virtual.
Paralelo a isso, vale ressaltar que somente o uso extrapolado das redes sociais já é o suficiente para causar prejuízos à saúde mental, visto que de acordo com a FGV ( Fundação Getúlio Vargas ) 41% dos jovens dizem se sentir tristes, depressivos e ansiosos em contato com as redes sociais. A necessidade de se sentir aceito e conectado com a maioria é o motivo pelo qual tantos usuários não conseguem mais “aparecer” na internet sem fazer alguma alteraração na sua imagem, isso mostra que o problema é muito mais complexo do que somente o uso descontrolado de filtros de imagem.
Verifica-se, então a extrema necessidade de que haja uma campanha nas mídias, principalmente na internet, impulsionada pelo governo e personalidades de relevância do meio artístico e médico que divulguem os malefícios da padronização estética e da importância da autoaceitação e que os influenciadores digitais divulguem essa campanha dando prioridade à saúde mental e a individualidade de seus seguidores, pois a autoaceitação é fundamental não só para a qualidade de vida individual como também para a qualidade de vida da sociedade como um todo, como o psicólogo Carl Rogers disse “Aceitar-se a si mesmo é um pré-requisito para uma aceitação mais fácil e genuína dos outros”.