A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 28/04/2021

No livro, “O Mito da Beleza”, da norte-americana Naomi Wolf, é retratado como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Ao longo desse trama, a narrativa revela que o mito da beleza está sempre prescrevendo comportamentos, não aparência e a busca pelo corpo perfeito é colocada como uma das prioridades dos indivíduos pós-modernos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no livro pode ser relacionada àquela do século XXI, em que com o avanço da internet a pressão estética para alcançar um corpo padrão está bastante presente.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o uso de filtros nas redes sociais contribuem de maneira direta na autoimagem da juventude brasileira. De acordo com o Jornal da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, o uso de filtros para a busca da selfie perfeita pode causar Transtorno Dismórfico Corporal, que faz com que os jovens desta geração, busquem procedimentos estéticos reais para se aproximarem ao máximo de suas versões aprimoradas com filtros de apps como Instagram.

Ademais, mesmo que pareçam inofensivos e usados como forma de entretenimento, os filtros são preocupantes, uma vez que possibilitam uma “versão online” com proporções perfeitas e simétricas, estabelecendo assim um padrão de beleza ilusório e praticamente inatingível. De acordo com o Haruki Murakami, escritor e tradutor japonês: ‘‘Um certo tipo de perfeição só pode ser atingido através de uma acumulação limitada de imperfeição’’. Paralelamente, essas ferramentas causam intenso sofrimento às pessoas, principalmente aos jovens, que a cada dia tornam-se mais insatisfeitas com o próprio corpo e tomam medidas extremas para mudar suas imperfeições, recorrendo às cirurgias plásticas.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para reduzir os impactos negativos na saúde mental da juventude brasileira. Logo, as mídias sociais tais como Instagram e Snapchat, devem promover uma política de seleção dos filtros mais rigorosa em relação àqueles de harmonização facial e os demais que fujam total da realidade. Somente assim, será possível para que as pessoas possam à princípio entender a realidade e não enganarem a si mesmas em relação a suas aparências. Com isso, haverá uma diminuição no índice de procedimentos estéticos oriundas da vontade do indivíduo de ser como o filtro.