A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 24/05/2021
“Ninguém irá te amar se você não for atraente”, esse trecho da música Mrs. Potato Head da cantora Melanie Martinez ilustra como as pessoas são obcecadas pela aparência externa. Analogamente, isso não é diferente nas redes sociais, uma vez que os usuários modificam a própria imagem em fotos e vídeos, buscando entrar em um padrão estético. Nesse sentido, é preciso analisar os efeitos dessa prática na autoestima e no desenvolvimento de transtornos alimentares.
Em primeiro lugar, é notório que a modificação de imagens por meio de filtros e photoshop prejudica a autoestima. Em um artigo publicado no JAMA Facial Plastic Surgery, pesquisadores alertam sobre um transtorno chamado “dismorfia snapchat”, onde as pessoas buscam cirurgias plásticas para se parecerem com filtros do aplicativo. Desse modo, percebe-se que a utilização de efeitos que alteram a aparência prejudica a autoimagem, gerando sérios problemas de autoestima, onde o indivíduo passa a não se reconhecer da forma natural, o que afeta diretamente a saúde mental.
Ademais, vale ressaltar que a distorção de imagens nas mídias sociais acarreta em transtornos alimentares. O filme “O mínimo para viver” retrata o drama da jovem Ellen ao lidar com a anorexia. Entretanto, fora da ficção diversos jovens lutam contra esses transtornos, causados na maioria das vezes por pressão estética. Dessa forma, é inegável que a utilização de photoshop para alterar o corpo reforça ainda mais esse padrão, fazendo com as pessoas se comparem com fotos que não são reais e busquem se parecer com o que veem, apelando para “dietas milagrosas” e desenvolvendo distúrbios como anorexia e bulimia.
Tendo em vista o que foi mencionado, conclui-se que a manipulação de imagem nas redes sociais tem um impacto direto na saúde mental. Portanto, cabe ao Ministério das Comunicações, junto do Poder Legislativo, elaborar uma lei para solicitar que as redes sociais limitem filtros que mudem a aparência, além de criar avisos em publicações que utilizem photoshop, a fim de diminuir a quantidade de fotos e vídeos alterados na internet. Somado a isso, é preciso que o Ministério da Saúde em colaboração com o MEC desenvolvam palestras e debates nas escolas sobre autoaceitação e autoestima, com o intuíto de quebrar padrões de beleza entre os jovens e não se fazer necessário manipular imagens em mídias sociais.