A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/06/2021

Em um episódio da série norte-americana “Black Mirror”, é apresentada a frívola realidade da protagonista, que vive em uma sociedade obcecada pelo status social, onde as pessoas são avaliadas virtualmente com base em uma escala de zero a cinco. De forma análoga, as pessoas, na vida real, são constantemente analisadas e julgadas no meio digital, gerando, assim, uma busca coletiva pela adequação aos padrões estéticos. Isto ocorre em decorrência da necessidade de se obter a validação externa e da falta de aceitação própria.

Em primeira análise, a maioria das pessoas têm como inspiração diferentes influenciadores digitais, e acabam por desejar que suas aparências fossem similares às daqueles tidos como modelo nos ambientes virtuais. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, houve, nos últimos dez anos, um aumento de 141% no números de procedimentos estéticos, nos quais as redes sociais desempenham um papel crucial, por reforçarem a importância dos indivíduos de se moldarem no que é dito como rosto e corpo ideais, entretanto irreais e inalcançáveis.

Outrossim, a ausência de amor próprio e a tentiva doentia das pessoas de encaixarem-se nesses padrões traz consequências preocupantes para a saúde mental e emocional delas. Segundo o psicólogo Dr. Lars Madsen, a baixa autoestima pode acarretar em transtornos mentais, como a ansiedade e a depressão. Isto ocorre, entre outras razões, devido à obsessão do indivíduo por aquilo que ele vê sendo vendido como modelo a ser seguido, em vez de refletir sobre sua própria beleza. Logo, a pessoa se frustra ao não conseguir se encaixar na idealização do que é belo.

Portanto, a urgência das pessoas em serem aprovadas esteticamente e seus conflitos pessoais com a autoaceitação são problemáticas a serem atenuadas. Para isso, é fundamental que o Governo Federal aplique iniciativas em prol do autoconhecimento e da saúde mental da população brasileira, por meio de campanhas virtuais nos meios de entretenimento e presenciais em escolas públicas e particulares, visando reeducar as pessoas, principalmente os jovens, quanto à necessidade de se aceitarem e à desmentir as falácias propagadas pela indústria da moda em relação ao que é bonito, a fim de aumentar a qualidade de vida desses indivíduos e de evitar que realidades distópicas como a de “Black Mirror” venham a concretizarem-se.