A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 20/06/2021
Em “Black Mirror” - série aclamada por questionar determinados pensamentos da sociedade - é retratado no episódio “nosidive” o modo como a protagonista, Lacie, tem uma felicidade forçada nas redes sociais, com intuito de aumentar suas estrelas. Fora da ficção, infelizmente, a obsessão por popularidade é comum no contexto contemporâneo e resulta na idealização da “vida perfeita” nas mídias sociais e, consequentemente, gerando riscos à saúde do indivíduo. Assim, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Primordialmente, as mídias sociais tornaram-se uma rede, no qual as pessoas postam apenas o que querem compartilhar. Nessa lógica, a sociedade do espetáculo - ideia desenvolvida pelo célebre escritor Guy Debord - consiste em que todos os indivíduos vivem em uma performance constante e sempre aparentam a perfeição. Isso posto, os influenciadores digitais contribuem para o panorama, no qual propagam uma felicidade exacerbada e um padrão de beleza inalcançável, adquirida por procedimentos estéticos e pelo uso “photoshop”. Logo, enquanto o estereótipo se mantiver corrente, a romantização das cirurgias plásticas continuará a afligir o Brasil.
Ademais, os aplicativos como o Instagram e o Snapchat, disponibilizam filtros faciais que funcionam como “photoshop” modificando todo o rosto. Por consequência, os indivíduos que fazem o uso frequente desses efeitos acabam desenvolvendo transtornos mentais, como a síndrome da decepção contínua, no qual o mesmo não reconhece a sua autoimagem, visto que, segundo Royal Society for Public Health (RSPH), 70% dos jovens que utilizam o Instagram já se sentiram mal em relação à própria imagem. Assim, tais dados evidenciam o aumento dos procedimentos estéticos desnecessários e, também, das doenças mentais nos jovens, como ansiedade e depressão. Dessa forma, é ilógico pensar que, num país que se consagra desenvolvido, a saúde mental seja colocada em segundo plano.
Em suma, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, é dever do Ministério da Educação alertar os alunos sobre o tema, por meio de rodas de conversa e bate-papo, a fim de conscientizar os jovens sobre os malefícios do conteúdo consumido nas redes sociais. Outrossim, cabe às grandes empresas, por meio das revistas e anúncios nas plataformas digitais, inserir as minorias, ou seja, os corpos e rostos considerados fora do ideal de beleza, com intuito de desconstruir o estereótipo e aumentar a representatividade dos mesmos. Assim, poder-se-á haver uma dissemelhança entre o enredo da série e a realidade brasileira.