A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 26/06/2021

Em “O Diabo Veste Prada” a protagonista, ao ser inserida na indústria da beleza, vê-se obrigada a transformar seu visual para adequar-se ao ideal estético reproduzido em catálogos de moda e revistas de sua época. Em comparação ficcional, hodiernamente, coloca-se em pauta os malefícios à saúde mental causados pela manipulação das imagens nas redes sociais, tendo em vista a influência das mídias na autoestima e comportamento humanos. Diante disso, cabe a análise da estrutura sociocultural em que emerge a problemática, além da observação acerca dos efeitos concretos dessa na vida cotidiana.

Em primeiro plano, a compreensão relativa às trajetórias socioeducativas do indivíduo são determinantes para compreensão dos fenômenos culturais que configuram as mazelas geracionais. Isso posto, segundo Guy Debord, o modelo de vida que domina as relações interpessoais é medido por um conjunto de imagens que embutem padrões comportamentais, de consumo e visuais a serem reproduzidos. Sob essa ótica, ao ser criado e disundido massivamente modelos estáticos, incuti-se no imaginário coletivo estruturas visuais sólidas que pautam o comportamento das massas — provocando, a cada dissonância com o ideal construído, o estranhamento e a rejeição.

Outrossim, o século XXI é marcado pela difusão dos mídias sociais e popularização de redes como o Instagram — ambiente de divulgação de fotos e vídeos que, segundo a Cuponation, ocupam jovens por, em média, 1h e 32 minutos diariamente. Com efeito, aliada a teoria da “sociedade do espetáculo” de Guy, a necessidade por adequação é estimulada por filtros que remodelam a estrutura facial, ou aplicativos que distorcem às silhuetas, contribuem para o adoecimento dos jovens que sentem-se excluídos daquilo que é naturalizado como comum, embora não passe de uma ilusão óptica. Dessa perspectiva, obras cinematográficas como “O mínimo para viver” registram os impactos desse movimento na vida de jovens, ao demonstrar o convívio com doenças como anorexia, bulimia e depressão, frutos da incessável busca por adequação à ditadura das imagens.

Portanto, é imprescindível a intervenção estatal para a remediação do quadro problemático. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em ação intersetorial como o Ministério da Saúde, promover nas Universidades Públicas do país — voltando-se aos cursos de Ciências Políticas, Ciências Sociais, Cinema e Psicologia — pesquisas quali-quantitativas voltadas a buscar potenciais estratégias de amenização dos danos já causados pela manipulação da imagem nas mídias sociais. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas, que emergiram do debate especializado promovido por pesquisas acadêmicas responsáveis, apresentando uma contrapartida social efetiva.