A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 04/07/2021
Na Antiguidade Clássica, encontramos várias esculturas de imperadores e heróis, as quais buscavam retratar, da maneira mais próxima, a beleza do homem, desconsiderando os seus defeitos. Do mesmo modo, na contemporaneidade, a perfeição continua sendo objeto de procura de muitos, inclusive dos jovens, que escondem suas verdadeiras imagens, por meio de filtros, e acabam desenvolvendo distúrbios mentais por não conseguirem manipular suas características fora do mundo virtual. Nesse sentido, cabe analisarmos o dano causado na identidade de cada indivíduo e essa frustração por algo inatingível, para entender de fato esses malefícios na saúde psicológica.
Primeiramente, é de suma importância destacar que, com a Terceira Revolução Industrial e o Advento da Internet, surgiram as redes sociais, as quais, segundo a Cuponation, são usadas em média durante 1 hora e 32 minutos diariamente por jovens de classe média. Entretanto, ao passarem muito tempo online, esse público pode acabar se expondo a um mundo que não permite imperfeições, resultando no uso de aplicativos e programas para transformar o indivíduo em algo socialmente aceito. Isso pode até ser percebido nos versos de “Eu, etiqueta” de Drummond, o qual, ao dizer que “Com que inocência demito-me de ser/eu que antes era e me sabia”, reflete sobre como as pessoas acabam sendo tão moldadas pela sociedade contemporânea, que não são capazes de se reconhecerem mais.
Em segunda instância, também é relevante ressaltar que os filtros também trazem frustrações, ao não poderem ser usados fora do ambiente virtual. Isso porque, o jovem se acostuma com uma aparência que não é verdadeiramente sua, estimulando-o a passar cada vez mais tempo nas redes sociais, o que piora esse distúrbio de imagem. Ademais, essas altas exposições na internet, seriam, conforme o filósofo Chul Han, como “vitrines”, que propagam falsas positividades e ideais de beleza e provocam competitividade por uma vida considerada “perfeita”. Desse modo, percebe-se que, infelizmente, quando usadas de modo intenso e errado, as redes sociais são um meio propício para o desenvolvimento de distúrbios mentais.
Diante dos fatos supracitados, depreende-se que se deve tomar cuidado com os malefícios causados pela manipulação de imagem online. Por tanto, cabe ao Ministério da Educação divulgar aos adolescentes, por meio de palestras nas escolas de todo o país, os prejuízos e as consequências de estar sempre conectado às redes e ensiná-los que, por mais que o mundo virtual exija demais do jovem, as pessoas são diferentes e possuem defeitos, objetivando, assim, promover uma maior autoaceitação por parte dessa geração. Só assim perceberíamos que não somos perfeitos como as estátuas clássicas e a tolerância se estabeleceria com mais facilidade.